Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

22.12.16

Tête-à-tête - Morte em Pemberley

Minissérie da BBC dividida em três episódios baseada no livro de mesmo nome da escritora P.D. James, onde retoma o universo do clássico Orgulho e preconceito, de Jane Austen, numa trama de assassinato em que nada é o que parece. O ano é 1803. Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy já estão casados, tiveram dois filhos e sua felicidade na imponente propriedade rural de Pemberley parece inabalável. Mas a paz do lugar é ameaçada quando, na noite da véspera do baile anual de Pemberley, Lydia, uma das irmãs Bennet, chega à mansão gritando que o marido, George Wickham, foi assassinado na floresta. (fonte: filmow.com)

A existência de uma minissérie (e um livro) que foca na continuação do romance de Mr. Darcy e Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito, é com certeza uma boa notícia para os fãs de Jane Austen. Entretanto, a ideia de que alguém do século atual decidiu recriar o ambiente e a personalidade de um dos clássicos mais conhecidos e apreciados da autora, ambientado no século XVIII, é algo que também pode causar receio. Foi com esse contraste de sentimentos que eu assisti Morte em Pemberley, a minissérie de 3 episódios produzida pela BBC, baseada na - não sei se encaixa-se como - releitura de P.D James.

Em quesito de adaptação cinematográfica, eu estava muito habituada à versão de 2005 de Orgulho e Preconceito, com Keira Knightley na pele da Elizabeth e Matthew Macfadyen como Darcy, o que me fez questionar se os atores da minissérie iriam agradar alguém que já tinha fixado na mente rostos de outros atores encarnando os personagens. De qualquer forma, não foram apenas as minhas preferências pessoais que me levaram ao ceticismo inicial; a personalidade deste casal 6 anos mais velho não podia destoar - apesar da necessidade de pequenas mudanças provocadas pelo tempo - do que foi apresentado originalmente por Austen. Assistindo os primeiros minutos do primeiro episódio, porém, este tipo de preocupação logo vai embora.

Anna Maxwell Martin apresenta uma Elizabeth mais madura, centrada e equilibrada, coordenando e governando o exército de empregados de Pemberley. Ainda há o humor provocativo da Lizzy de Austen, mas a Elizabeth como senhora de Pemberley há seis anos assume uma postura suficientemente séria e organizada que se exige de uma liderança. Darcy, por sua vez, absorve o senso de humor da esposa e adquire um comportamento mais extrovertido, sem perder sua essência original. Quanto ao cenário, a mansão Pemberley é idêntica à que foi apresentada na versão de 2005 de Orgulho e Preconceito, o que ajuda o público a se familiarizar com essa nova parte da história.

O suspense policial é inserido no ressurgimento de Wickham e Lydia Bennet, banidos de Pemberley por razões mais que conhecidas para quem leu o romance original; um assassinato nos arredores da mansão, onde o cunhado de Elizabeth se torna o maior suspeito, coloca Darcy e outros membros da família dentro do caso. A partir deste ponto marco, as coisas começam a sair de controle em Pemberley; como em toda situação de caos, questões adjacentes internas e externas, mal resolvidas, são trazidas à tona.

Todo o assassinato e as reviravoltas do caso lembram romances policiais de autoras como Agatha Christie, porém, perfeitamente alinhados aos moldes da época e do plano de fundo que é o relacionamento entre Elizabeth e Darcy. Diferente do que se geralmente se vê em paródias, onde o autor tenta incluir algum elemento de outro gênero literário na história original, Morte em Pemberley respeita o ambiente e os personagens, e a versão conversa com o clássico. É justamente o cuidado em estabelecer essa sincronia que faz exalar o profundo zelo, palpável para quem assiste.