Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

16.5.16

[CINEMA] My life in ruins


Georgia (Nia Vardalos) é uma americana de origem grega que trabalha como guia turística justamente... na Grécia. Sua vida é extremamente entediante e ela vive sempre cansada pois os turistas parecem curtir mais as compras do que aprender alguma coisa sobre a Grécia. Hotéis baratos, ônibus velho, calor infernal e turistas "engraçadinhos" tornaram Georgia uma mulher frustrada. Até o dia em que Irv Gordon (Richard Dreyfuss), um turista muito especial, aparece. Com seu senso de humor ele tenta mostrar todas as possibilidades de viver bem, ser feliz e não perder a chance de ter um grande amor, enfim, recuperar seu kefi, como dizem os gregos. Agora cabe a Georgia parar de reclamar e perceber que tudo isso sempre esteve bem embaixo do seu nariz. (sinopse via: cinepop.com.br)

Olha só, há quanto tempo não há um post aqui sobre cinema, não é?  Pois então, eu geralmente não customo colocar termos em inglês na postagem, mas há algo em "Falando grego", a tradução do título para os cinemas brasileiros, que não se encaixa muito bem para mim. Esse filme é relativamente antigo, foi lançado em 2009, alguns anos depois de "Casamento grego", mas minha crescente preferência - quando se fala em comédia romântica - pelos filmes da Nia Vardalos é bem recente.

Há algo de muito parecido e ao mesmo tempo, diferente, entre esse estilo de comédia romântica e as comédias românticas hollywoodianas; em suma, o filme apresenta aquela velha temática da protagonista que não aproveita a vida e é exageradamente focada no trabalho, mas a Georgia é um pouquinho mais profunda e complexa do que se está acostumado a ver nos filmes do gênero, entretanto, isso não tira a leveza da personagem ou do enredo como um todo.

Leveza é uma palavra que também descreve os personagens secundários e o humor presente na trama. São apresentados os tão terríveis turistas de Georgia, uma série de personagens construídos e formulados de acordo com os estereótipos de cada nacionalidade; os australianos falam coisas desconexas e sem sentido, os americanos são metidos, mas apesar de se tratar de rótulos, eles não soam ofensivos ou desrespeitosos com quem quer que seja. Não há pretensão ou arrogância na forma como essa espécie de "humor negro" é colocado no filme, e é justamente por isso que você não se sente agredido.

Todos os elementos presentes na história apontam para a mensagem do filme: "não se leve tanto a sério". Georgia não gosta da forma desinteressada de como seus turistas enxergam a Grécia, não gosta das piadas bobas, não gosta do jeito despreocupado com que os gregos resolvem seus problemas, e isso, somado à frustação em não conseguir um emprego numa universidade norte-americana, vai criando toda uma carga de estresse que explode em pelo menos uns dois momentos do filme. Só depois de alguns conselhos e um bom e velho romance, a protagonista começa a entender que determinadas coisas não tem tanta importância, no final das contas.

A trama é repleta de piadas que geralmente não tem graça, mas acabam se tornando engraçadas pela forma como são inseridas na história. O humor é bobo, despreocupado e suave, as vezes até infantil, e essa é justamente a intenção do filme; fazer você relaxar e ao mesmo tempo entender que alegria e vivacidade pode ser rir, mesmo quando a piada não é engraçada, simplesmente pelo puro e singelo prazer de rir.