Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

22.8.15

[RESENHA] Convergente

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Convergente - A sociedade baseada em facções, na qual Tris Prior acreditara um dia, desmoronou – destruída pela violência e por disputas de poder, marcada pela perda e pela traição. No poderoso desfecho da trilogia Divergente, de Veronica Roth, a jovem será posta diante de novos desafios e mais uma vez obrigada a fazer escolhas que exigem coragem, fidelidade, sacrifício e amor.




Depois de uma interminável espera, expectativa e unhas roídas (sim, eu ainda não consegui me livrar do vício) consegui ler esse livro, graças a um amigo meu que me deu de presente. Logo de início vou confessar, para tristeza dos fãs da trilogia, que Convergente não satisfez minhas expectativas, mas calma, é uma boa leitura, apesar de tudo. Aos novos leitores e desavisados, as resenhas dos livros anteriores estão aqui e aqui. 

Acredito que sempre houve, entre os leitores da série - e da maioria das distopias - a curiosidade em saber como era o mundo fora do local ambientado. No caso de Divergente, a menção da cerca, a barreira que isolava Chicago da sociedade lá fora, era algo presente desde o primeiro livro, o que ajuda a criar toda uma expectativa para o último livro, quando finalmente esse detalhe é abordado com maior exatidão. Como já se sabe, Chicago e suas facções estão completamente destruídas, seus líderes, quando não mortos, estão brigando entre si pelo controle da cidade e as pessoas, completamente desesperadas e confusas quanto às suas próprias identidades.

Para acrescentar mais um agravante, há o vídeo de Edith Prior - que não vou entrar em detalhes porque né, vai que alguém ainda não leu Insurgente? - revelando o caráter de "sociedade temporária" na qual as facções foram criadas. Neste cenário, Tris, Tobias e personagens adjacentes planejam uma fuga de Chicago, - agora controlado pela mãe de Tobias, Evelyn - em busca do que quer que exista atrás da cerca. A ação é muito presente aqui, assim como em todos os volumes da trilogia, e enquanto eles precisam enfrentar tiroteios, atentados e brigas, todos esses personagens precisam lidar com os seus problemas internos e tentar encontrar algum ponto de equilíbrio entre o que aprenderam em suas facções, e o que realmente são sem elas.

"... o fato de nosso mundo ser tão gigantesco que está completamente fora de controle, de que não podemos, de maneira alguma, ser tão grandes quanto nos sentimos...
É estranho, mas há algo nessa ideia que me faz sentir quase... livre." 

Diferente dos outros livros, Convergente acrescenta o ponto de vista de Tobias, o que fez com que o livro ganhasse mais pontos comigo. As diferenças entre os dois são nítidas e Tobias é tão maravilhoso como sempre pensei que fosse; nós temos um vislumbre de sua personalidade nos contos, suas qualidades e seus pontos fracos, mas isso só é, de fato, aprofundado, neste livro. Na resenha de Insurgente, eu disse que as turbulências vividas no relacionamento Tris-Tobias seria importante para garantir a futura estabilidade do casal, e é exatamente o que acontece; é nítida a mudança dos dois e a forma como amadurecem.

O mistério que envolvia os motivos pelos quais as facções foram criadas é desvendado em Convergente, mas talvez não da forma que a maioria - onde eu estou incluída - esperava. Vários personagens importantes morrem, e isso pode agradar uns e aborrecer outros, mas o desfecho em si não é tão genial assim, por isso mesmo recomendo que não crie expectativas demais. Novamente volto ao quesito da ação, que para mim, é excessiva demais na história, preenchendo algumas lacunas deixadas em relação à profundidade das questões envolvendo a "criação" de Chicago. Há uma carga de drama muito forte em todo o enredo, mas isso não impede que alguns breves momentos de humor aconteçam. Num sentido geral, Convergente deixa muito a desejar, mas não invalida, de todo, o prazer desta leitura.