Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

13.2.15

[RESENHA] A Elite


A Seleção começou com 35 garotas. Agora restam apenas seis e a competição para ganhar o coração do príncipe Maxon está acirrada como nunca. Só uma se casará com o príncipe e será coroada princesa de Illéa. Quanto mais America se aproxima da coroa, mais se sente confusa. Os momentos que passa com Maxon parecem um conto de fadas. Quando ela está com ele, é arrebatada por esse novo romance de tirar o fôlego e não consegue se imaginar com mais ninguém. Mas sempre que vê seu ex-namorado Aspen no palácio, trabalhando como guarda e se esforçando para protegê-la, ela sente que é nele que está seu conforto e se vê dominada pelas memórias da vida que eles planejaram ter juntos. America precisa de mais tempo. Mas, enquanto ela está às voltas com seu futuro, perdida em sua indecisão, o resto da Elite sabe exatamente o que quer - e ela está prestes a perder sua chance de escolher. E justo quando America tem certeza de sua escolha, uma perda devastadora faz com que suas dúvidas retornem. Enquanto ela está se esforçando para decidir seu futuro, rebeldes violentos, determinados a derrubar a monarquia estão se fortalecendo - seus planos podem destruir as chances de qualquer final feliz.  

Então, eu sei, essa resenha demorou meio século para sair. Enfim, eu li A Elite há algum tempo, portanto, devo salientar que posso não me lembrar de alguma coisa importante para a resenha. Apesar de meus problemas em relação a alguns pontos da trilogia, eu li todos os livros e digo que sim, eles são uma boa leitura, mas isso, é claro, depende muito do tipo de leitor.

Quando eu destaquei o "meus" ali em cima, não foi a toa; eu tenho um problema quanto à estória e ao romance que, para mim, é excessivamente presente, levando em conta o gênero do livro. A Seleção também é uma distopia YA, apesar de apresentar um formato diferente das que estou acostumada. Quando eu falei sobre este tipo de distopia (vide o último tête-à-tête), deixei claro que o romance adolescente normalmente está nessas estórias como um elemento secundário, algo para quebrar o gelo. Nos livros da Seleção, é ao contrário: o romance é elemento primário, a política e sociedade vem depois. Não estou querendo desmotivar ninguém, mas se você não suporta, de jeito nenhum, romance adolescente, é melhor desistir desta leitura.

Enfim, A Elite de fato começa a partir do momento em que America finalmente admite que se sente atraída por Maxon e que quer lutar por ele. Os motivos agora que a fazem permanecer na disputa - que agora só possui seis participantes - são completamente diferentes e os problemas e indecisões quanto ao triângulo amoroso Maxon-America-Aspen se tornam cada mais fortes. Os nervos das participantes estão a flor da pele, o que nos rende algumas farpas trocadas, e há o perigo dos ataques rebeldes, piscando como uma luzinha vermelha no fundo da paisagem.

O estresse não atinge só as meninas, mas também a Maxon, que carrega, além das responsabilidades de príncipe e futuro rei, a pressão que vem com a reta final da Seleção e os problemas políticos e sociais. Nós temos um pequeno vislumbre das personalidades do Rei Clarkson e da Rainha Amberly em O Príncipe - um dos contos da trilogia, porém, escrito pelo ponto de vista de Maxon -, mas a oportunidade de conhecê-los melhor só acontece agora. A rigidez de Clarkson ultrapassa os limites várias vezes e ele governa sua família exatamente como governa o seu país. Pela situação em que Illéa se encontra, dá para ver que sua "gestão" não é tão boa assim.

Do outro lado, America tenta se decidir entre dar mais uma chance a Aspen ou escolher Maxon e mandar o resto às favas. A insistência de Aspen, as descobertas com relação ao passado de seu país (que não vou dizer porque é spoiler) e o medo em não conseguir ser uma boa rainha dificulta a situação, induzindo-a àqueles questionamentos que geram páginas e mais páginas de pura indecisão. Alguns personagens mostram sua verdadeira face ao longo do livro e outros permanecem maravilhosamente do jeito em que estão, como as criadas de America, que são sempre umas fofas.

Enfim, A Elite, assim como todos os livros da trilogia, tem uma linguagem simples, o que facilita a leitura. O livro não é muito longo e - a menos que você deteste estórias assim, como eu disse antes - a evolução no romance entre Maxon e America, as personalidades de ambos e de outros personagens secundários cativa e torna a leitura melhor. Algumas cenas podem render umas lágrimas, se você for uma manteiga derretida...

— Como é amar? — perguntou May.
— É a coisa mais maravilhosa e terrível que pode
acontecer com você  — afirmou com simplicidade.  — Você
sabe que encontrou algo incrível e quer levá-lo para sempre
consigo. E um segundo depois de ter aquilo, você fica com
medo de perder.