Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

1.11.14

Tête-à-tête: Distopias clássicas X modernas

Oláááá!
O futuro é uma curiosidade normal do ser humano. A gente sempre quer saber como o mundo vai estar daqui a 10, 15 anos ou até mesmo um século; a literatura e o cinema traz, desde muito tempo obras que conquistaram muita gente com esse assunto. É o caso das distopias, a visão pessimista do futuro e das pessoas que fazem parte dele.

Eu li uma distopia clássica - e estou com planos de ler mais uma, porém, falta-me dinheiro - e várias outras distopias modernas, escritas para atrair um público mais jovem, que é o que as pessoas chamam de distopia YA. E necessário muita imaginação para criar e explicar um mundo que não existe, numa era que ainda não chegou,e a maior preocupação daqueles que gostam desse tipo de leitura é que os mundos retratados nos livros estão se aproximando cada vez mais da realidade.

A grande diferença entre as distopias clássicas e as modernas são justamente o público alvo; nas distopias atuais, há muito de romance adolescente, o que serve para quebrar o gelo e tornar a leitura mais agradável. Numa distopia clássica esse tipo de preocupação não existe, as estórias são realmente tensas e o nível de controle, seja científico ou por ditadura, chega ao extremo.

Quaisquer palavras que usem, a real mensagem é clara. “Olhe como nós tomamos suas crianças e as sacrificamos e não há nada que vocês possam fazer. Se vocês levantarem um dedo, destruiremos cada um de vocês. Assim como fizemos no Distrito Treze.” - Jogos Vorazes.

Em Admirável Mundo Novo, Huxley de fato transforma os seres humanos em verdadeiros rôbos de carne e osso. Coisas como família e amor não existem, os bebês são fecundados e modificados em laboratório e o romance até existe, em certo ponto, porém é tão superficial e trágico que é como se não estivesse ali. Entretanto, nessas distopias, sejam elas clássicas ou modernas, há sempre o "herói" aquele que se nega a curvar-se perante o sistema. A única diferença é que nos YA, normalmente há finais felizes, nos clássicos, não.

"— Poucas pessoas matam pelas razões certas, June. A maioria faz isso pelas razões erradas. Só espero que você nunca se encontre em alguma dessas categorias." - Legend

Admirável Mundo Novo, Divergente e vários outros nos despertam a pensar no quanto a ciência pode influenciar as nossas vidas e até onde podemos ter um convívio saudável com ela, sem afetar a questão do "livre arbítrio" humano. A ciência e a tecnologia, que deveria ser usada a nosso favor, que deveria ser controlada por nós, acaba assumindo o controle sobre nós nas distopias. Livros como esse nos faz pensar em coisas sobre o equílibrio entre o racional e o emocional, o quanto o emocional é cada vez mais desprezado, como se ele não importasse, como se os fortes sentimentos só nos tornasse insensatos e selvagens. Talvez torne. A prioridade pela estabilidade mundial, a "paz" que vai garantir o presente e o futuro da nossa espécie rechaça sentimentos instáveis; amor, ódio, paixão. E no final das contas, nós não vivemos realmente, apenas sobrevivemos. Isso me lembra tanto um filme que assisti há pouco tempo...

[..]Nós vivemos, simples, mas vivemos. Imperfeitamente, claro, e estupidamente, às vezes. Mas não nos importamos, porque é assim que nós somos. E quando a morte chega, nós não resistimos a ela, nós a chamamos. - Jogos do Apocalipse.