Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

24.10.14

Desejo - One Shot



Olááá!
Então, eu sei que havia criado uma página especial para os contos do blog, porém, há tempos eu prometi fazer uma one shot baseada no conto Fúria. Esses dias eu finalmente escrevi a one shot e achei válido postar aqui, no blog principal, ao invés da página de contos...

DESEJO
ONE SHOT BASEADA NO CONTO FÚRIA 

***

 A cabeleira loura de Beth Vaccari aparecia, volta e meia, entre as frestas da movimentada multidão.
A semelhança entre ela e a jovem sobrinha, Liza, era assombrosa, como se fossem mãe e filha; tal analogia transporta César Vaccari, que até então se manteve afastado da aglomeração, a um mundo paralelo em que a menina era, realmente, fruto de um incesto. A perspectiva de um pecado tão execrável, mais um que envolve a família Vaccari, o enchia de excitação e ao mesmo tempo, repulsa.
César nunca gostou da "prima", isso é fato.
No entanto, a aversão nutrida por Beth era completamente diferente da disputa de território, a eterna briga de galo entre ele e Tony. Com Tony, apenas negócios estavam envolvidos. Com Beth, era pessoal.
A caçula Vaccari caminhava despreocupadamente pela multidão, sem se deixar envergonhar-se por sua baixa estatura, aparentemente distraída, porém consciente do olhar do "primo" pousado sobre ela. Sempre se sabe quando César Vaccari está te olhando. É como uma energia, um instinto natural de perigo, um mecanismo de defesa que é acionado sempre quando aquelas fossas negras a seguem, estudando-a minuciosamente.
Tony, enorme e musculoso, caminhava do outro lado do salão ao lado da miúda Jennifer, que estava grávida de três meses da segunda filha. A ruiva esposa do irmão fazia questão de manter a filha mais velha longe dos parentes e provavelmente o faria com a mais nova, mas o que mais chamava a atenção de Beth era a tristeza, a depressão estampada no rosto de Jennifer Vaccari a cada vez que a nova barriga crescia.
Jennifer também fazia parte da lista de negócios que Tony e César tanto desputavam.
A atenção exagerada que o último dedicava a ela enchia Tony de raiva, o que fazia Beth pensar, por várias vezes, que César gostava de brincar com a morte. O irmão sempre usou a voz grossa, os passos pesados, a altura, os músculos e o temperamento agressivo para intimidar a todos, mas o primo era completamente imune a essas artimanhas.
Sempre com um sorriso enviesado e uma resposta carregada de escárnio nos lábios a cada explosão de Tony. Beth não sabia como ainda não o tinha matado.
E no final das contas, César sempre escapava.
E os outros nunca escapavam dele.
E isso a deixava furiosa.


"Prima."
   - A voz dele soou bem atrás dela, bem no pátio da mansão Vaccari. Por um momento Beth só queria ser esquecida, queria que todas as visitas e conversas indesejadas caíssem na conta do irmão mais velho que chamava muito mais atenção que ela, mas parecia que isso era impossível quando César Vaccari estava no mesmo recinto.
    Ela se manteve parada, como se não pudesse mais se mover, e só reagiu quando ele pôs a mão quente em seu ombro, girando o corpo para trás e se afastando bruscamente.

"Calma..." - Ele diz, rindo. - "Desculpa ter assustado você."

Você me assusta sempre, foi o que ela quis dizer, mas se conteve a tempo.
Beth foi ensinada a reagir com agressividade ao medo, então ela era sempre grossa e desprezível na frente dele, só por defesa própria. Ela não conseguia entender como as pessoas pareciam gostar tanto de César, como se ele fosse um anjo de luz em meio àquele antro de trevas, quando na verdade era ele o demônio.
O problema é que Tony era previsível, e temia que ela também fosse.
Já César, bom, nunca se sabia o que ele poderia fazer em seguida.

"Eu só vim dizer o quanto está bonita hoje, prima."
     - César diz, dando lentos passos na direção dela. Seu sorriso é largo, sedutor, e ele segura uma mecha do loiro cabelo de Beth entre os dedos, antes de dizer, sua voz baixa, quase um sussurro:
"Eu fico muito feliz em ver que está crescendo e se tornando uma mulher atraente."

"Me esquece, César." - Beth solta e vira-se para trás, caminhando para algum lugar, qualquer lugar longe dele.

César gargalha. E ela, novamente, fica imóvel.

"Sua pureza é tão doce, Beth." - Ele diz - "Está com raiva porque achou indecente demais que um suposto primo seu lhe fez um elogio desses, não é?... Ou talvez, porque no fundo, acabou gostando do elogio..."

Beth então volta, a passos largos, a fúria pronta para explodir em apenas uma frase...

"Eu tenho nojo de você."

E pela primeira vez, uma frase sua fez efeito em César Vaccari.
Ela observa, supresa, como seu maxilar trava e uma raiva fria passa pelos seus olhos negros.
Então Beth se vira e vai embora, sem esperar uma resposta dele. Caminha rapidamente, ofegante, torcendo para voltar para a mansão logo, para a proteção do irmão. Mas quando ela passa pelo estreito corredor, feito de muros de plantas, a mão fria de César se fecha em seu braço num aperto forte e doloroso.
É claro que ele iria dar o troco. E ela não podia escapar disso.
Num puxão, Beth bate as costas contra a parede de plantas, descobrindo que estas são mais duras do que imaginava. César pressiona a mão esquerda contra sua boca, forçando-a a encará-lo.

"Quer mesmo ouvir uma coisa suja?" - Ele cospe as palavras para ela; Beth se debate violentamente e ele a aperta ainda mais, formando marcas vermelhas em seu braço e bochechas. - "Sua puritana cunhada, a quem você deve nutrir uma imensa admiração, está grávida de mim! Isso mesmo, aquela criança é minha, porém, você sabe que se contar a alguém vai morrer, não sabe, querida?"

César observa, com satisfação, as pupilas de Beth Vaccari dilatarem perante a declaração. Sua mão direita desliza por seu corpo, desde o formato das coxas até os seios firmes por baixo do sutiã. Ele podia tê-la. Podia, assim como pôde ter Jennifer, e qualquer outra que bem quisesse.

"Eu posso fazer o mesmo com você, Beth."
     - Ele sussurra, seus lábios roçando na cartilagem da orelha da prima. Então seus dedos apertam com força a carne de seu seio esquerdo, ao que ela estremece de dor, até que ele se afasta e completa...
"Mas não hoje."
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