Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

8.12.13

F 2ª TEMP: O ENIGMA - Capítulo 10


CAPÍTULO 10
RACHAEL
Eu estou num carro preto, cercada por três caras. Um deles é James. Ele está no banco da frente e por mais que tente disfarçar, eu sei que olha para mim a cada 5 minutos. Eu não estou nervosa, apesar de estar sendo levada para um lugar que eu não conheço, cercada de pessoas que nunca vi na vida. Eu posso ver o cabo do revólver de James saltando de seu paletó aberto. Eu começo a analisar até onde eu possa ver do corpo de James, como uma distração. "Ele é realmente bonito", penso. Eu sei que é algo fútil, numa situação como essa, mas eu não sinto que devo me preocupar com alguma outra coisa. O chefe precisa de mim. Eu sou a única chance que ele tem de capturar a Liza. Ele não vai me matar, pelo menos, não agora.

"Vamos, Rachael."
   - James me diz, seco. Sorrio para ele. James não olha para mim, está tentando me evitar, o que torna as minhas provocações ainda mais divertidas. Eu caminho atrás dele e seus capangas me seguem.
    Nós entramos em um pequeno edifício de no máximo 3 andares. Ele é simples e um pouco escuro, porém, confortável. Eu sou levada a subir uma escada em espiral que leva à um corredor de quartos. James caminha até a última porta do corredor, e com a mão na maçaneta, me diz:



"Espere aqui."

Eu aguardo ao lado dos desconhecidos lacaios de James até que ele volte, o que não demora muito. James faz sinal para que eu entre, mas, para a minha surpresa, nem ele e nem os capangas entram comigo.
   O contraste entre o resto do edifício e esta sala é impressionante. Eu estou em uma grande e iluminada sala, com sofás, um armário repleto de bebidas, lustres e uma varanda com uma boa visão da rua. Eu também estou pisando sobre um luxuoso tapete e olhando fixamente para os olhos negros de Edward Black.

"Rachael Vaccari,"
   - Ele sussurra. Então se cala e me observa por um bom tempo, para só depois continuar:
"Devo confessar, estou surpreso em vê-la aqui."

"Engraçado, eu digo o mesmo sobre você."
    - Respondo.

Edward se cala novamente. Ele parece estar escolhendo as palavras.

"Por que não se senta, hein?"
Eu me sento. Nós continuamos a nos encarar.

"Eu tinha esquecido... me diz, você é irmão ou primo da Lauren Black?"
    - Pergunto.

"Irmão."
- Ele responde.
"E tecnicamente, nós deveríamos ser inimigos."

Eu solto uma risadinha.

"Tecnicamente,"
- digo, fazendo aspas com as mãos.
"Minha irmã matou sua irmã. Sua irmã deixou a minha em coma por 10 anos."

"Mas ela não está morta, entretanto."
   - Edward diz.

"Ainda."
  - Respondo. Edward respira fundo, cruza os dedos, se projeta para frente e me diz:

"Quer um conselho?"

"Não."
   - digo, porque sei o que ele vai falar.

"Mas eu vou dar mesmo assim. Eu sei o que você quer, e eu digo que se você pensa que vai se dar bem e se safar logo depois, está muito enganada. Se esse for o seu pensamento, sugiro que vá embora daqui enquanto é tempo."

Então, eu me inclino para frente e sorrio.

"Eu não dou a mínima para os teus conselhos."
  - sussurro. Seu maxilar trava.
"Então, porque você não liga logo para o chefe?"

"Você não vai conseguir cair fora tão fácil depois."

"Eu não vou cair fora, caramba!"
  - solto, perdendo a paciência.
"Será que dá para você avisar ao seu chefe que eu estou aqui, ou tá difícil?"

Edward me encara por um tempo. Então ele puxa o telefone e disca um número.
   Eu o observo conversar com algumas pessoas, até que ele pronuncia a palavra "chefe". Edward olha para mim uma vez ou outra e fala alguma coisa para a pessoa que está do outro lado da linha. Eu me mantenho quieta por cerca de 7 ou 10 minutos, para só então, vê-lo desligar o telefone e dizer:

"Ok. O chefe quer ver você."

LIZA
17 de outubro

Liza acabou de completar 1 ano hoje. Na teoria, Tony deveria estar aqui, comemorando comigo esta data, mas, na prática ele está mais uma vez se esfregando com a Sandra. Eu mantenho a paciência e me forço a engolir toda a humilhação que ele me faz passar e fingir para todos que somos um casal feliz, como uma boa esposa deveria fazer. Se vocês soubessem o quanto me arrependo por não ter ouvido o conselho de Beth... Ela é a irmã dele. Eu deveria saber que ela o conhecia muito melhor do que eu, mas quando você tem dezessete anos e está perdidamente apaixonada, você não se torna a pessoa mais esperta do mundo. Beth e Tony são legítimos Vaccari, sem tirar, nem pôr. Eles tem todas as qualidades e defeitos que seu sobrenome exige que tenha. O mesmo não pode ser dito sobre mim. Eu nunca fui uma Vaccari, mesmo portando o nome. Eu nunca consegui me encaixar. Eu faço o papel da boa esposa que se esconde na asa do marido. Não posso negar que carrego uma mágoa enorme por tudo o que ele fez, mas não irei me vingar. Deixarei que outra pessoa o faça. 
Mas, é obvio, vocês não sabem quem é Sandra. Meu marido é o que eu chamo de "professor de fachada". Ele cursou psiquiatria e dá aulas em uma faculdade, apenas para despistar o que ele realmente faz na vida. É claro que um professor de faculdade não bancaria uma vida tão luxuosa como a que nós temos. Mas ele precisa ter uma profissão digna para ser apresentada à sociedade. Digamos que Vaccaris não costumam ser muito honestos. Tony não é. Beth também não. Todos eles já cometeram mais do que dois crimes. Mas sobre o que estávamos falando mesmo? Ah, sobre Sandra. Sandra é uma garota que ele conheceu na faculdade. Uma aluna. Jovem, bonita e quente. É claro que mais cedo ou mais tarde algo aconteceria entre os dois. Nós nunca falamos sobre isso em casa, mesmo eu tendo descoberto a traição faz um bom tempo. Ele finge que me engana e eu fingo que acredito. A coisa iria muito bem até que outra aluna descobriu sobre o caso. Começou a chantageá-lo, a fazer ameaças, dizer que iria espalhar para Deus e o mundo sobre a traição, o que provocaria um escândalo, sendo ele um homem da sociedade. Eu podia ouvir as conversas que ele tinha com Sandra, o quanto ele ficava nervoso, o quanto ele jurava que um dia iria se vingar, até que aconteceu. Infelizmente, não sei detalhes sobre isso. Quem ler isso terá que descobrir por si mesmo. O nome da chantagista era Alicia. Ela estudava psiquiatria em Londres e morava sozinha. Um certo dia, o mundo pareceu desabar para ela. Foi expulsa da faculdade, maltratada por todos, não conseguiu emprego e foi despejada do apartamento. Sumiu. Nunca mais voltou. Talvez ela esteja viva, mas isso é só uma pequena parte do que Tony já fez. Eu sei que ele fez algo, mas queria saber o que foi. Eu ficaria muito feliz, querido leitor, se você descobrisse a verdade para mim. 

                                                Jennifer Vaccari. 


"Liza?"
   - Eu ouço a voz de Beth e fecho o diário imediatamente. Tarde demais. Ela já o viu e me encara espantada.
"Você mexeu nas minhas coisas?!"

"Por que não me disse que a minha mãe tinha um diário?"
    - Respondo com outra pergunta.

"Por que mexeu nas minhas coisas?!"
   - Ela grita.
"Eu disse que você não deveria se meter nisso, Liza, eu..."

"São os meus pais! É a minha família!"
    - estouro.
"Eu tenho todo o direito de saber!"

Beth anda de um lado para o outro, calada. Então ela se senta na mesinha de centro e passa as mãos pelos cabelos.

"Até onde você já leu?"
   - Ela sussurra, me encarando atentamente.

"Só o começo. A traição e Alicia."

Beth suspira.

"Você sabe algo sobre ela?"
   - pergunto.

"Sei que ela se meteu no caminho do Tony."
    - Beth responde.
"Mas, enfim, o que você quer saber?"

"Tudo o que você sabe."