Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

26.11.13

F 2ª TEMP: O ENIGMA - Capítulo 9

CAPÍTULO 9
LIZA
Eu fecho o diário assim que leio seu nome escrito nele. Jennifer. Eu o guardo perto de mim, empurrando-o contra mim, mas sem coragem de abri-lo novamente. É a primeira coisa significativa que tenho sobre a minha mãe em anos. Eu penso novamente em Beth e no que ela me disse antes. Lembro de que estou em seu quarto e mexendo em suas coisas, o que significa que a primeira coisa que eu deveria fazer é sair daqui. Eu fecho as gavetas e tento fazer de conta que está tudo no lugar onde sempre esteve. Mas não está. Eu levo o diário e me tranco no banheiro com ele.
    As primeiras cinco páginas estão completamente vazias, sem nenhum risco. Na sexta, há a data escrita na primeira linha, que é o dia 16 de outubro. Logo abaixo, as seguintes palavras:

Eu não gosto de falar sobre isso, mas é necessário. Pode parecer esquisito e eu estou me sentindo estúpida em desabafar com um pedaço de papel, mas é a única coisa que tenho. O problema é que eu me casei muito cedo, sem perceber que estava entrando em um ninho de cobras. Eu sei que alguém um dia vai ler isso e eu realmente quero que leiam, mas antes,  peço algo a quem ler: Por favor, não seja um Vaccari. E se você tiver o infortúnio de ter nascido um de nós, eu espero que as revelações deste diário abram os seus olhos para o que está por trás de seu sobrenome. E então, se você estiver disposto a saber a verdade, por favor, vire a página. 

Jennifer Vaccari. 




Eu seguro a ponta da página, hesitante em virar.
A sensação é de que se eu o fizer, um monstro de garras afiadas pulará para mim, mas eu conheço a mim mesma. Eu não remexi as gavetas de Beth para nada. Eu não sou do tipo que deixa a chance escapar. Então, eu respiro fundo e me preparo para o que está na sétima página.

RACHAEL
Eu fecho a porta da minha casa, como se estivesse me despedindo para sempre dali. Talvez eu esteja fazendo mesmo isso, já que estou caminhando em direção ao olho do furacão. Eu uso um vestido curto e bilhoso, e a sensação é estranha, porque não costumo me vestir assim. Eu também fiz um coque trabalhado em meu cabelo e uso maquiagem pesada. Tudo isso para ir numa festa que pode significar minha morte ou o ínicio do meu jogo. Eu tenho um plano, e ele precisa dar certo.
   O lugar onde o endereço do bilhete me indicou é uma espécie de bordel à moda antiga. A decoração e o figurino das dançarinas remete aos anos 50, e percebo que este lugar é frequentado por pessoas influentes. Eu não sei exatamente quem me mandou este bilhete, então não sei para onde ir, até que meus olhos encontram um homem sozinho que faz um sinal para que eu me aproxime. Eu me sento em frente a ele, que abre um sorriso e diz:

"Rachael Vaccari, fico impressionado que você tenha aceitado meu convite."
    - Eu consigo observar cada detalhe do seu rosto, apesar da luz fraca. Ele tem os cabelos escuros, um tom castanho-médio, olhos acinzentados, barba rala e covinhas que se formam quando ele sorri. Bonito, porém, perigoso.
"Oh, eu esqueci de me apresentar. Eu me chamo James Hansson."

Hansson.
Morgana Hansson.
Ele sabe que eu percebi esse detalhe, mas não se importa com isso. Eu ofereço minha mão para ele, que a beija, sem tirar os olhos de mim.

"Eu pensei que você jamais aceitaria se encontrar comigo, principalmente por causa de sua irmã e tudo."
   
"Digamos que eu e a Liza não somos mais tão unidas, ultimamente."
    - Respondo, retribuindo seu sorriso. Eu me sinto numa partida de xadrex, com cada um observando os movimentos do outro.

"Fico feliz em saber."
   - Ele responde. Então se projeta para frente e sussurra:
"Você tem informações valiosas, Rachael. Informações essas que se reveladas, poderão ser recompensadas."

Então James empurra uma maleta em minha direção. Eu a abro e o que encontro não é uma surpresa. Dinheiro em grande quantidade. Eu fecho a mala e a empurro de volta.

"Não vim aqui por causa do seu dinheiro."
   - Digo. James franze o cenho.
"Eu quero que você me leve ao seu chefe."