Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

15.9.13

[RESENHA] Stolen

Gemma é uma adolescente normal esperando para pegar um voo no aeroporto de Bangkok com seus pais. Ao se afastar, conhece o charmoso e envolvente Ty, e nem imagina quais são suas reais intenções... Ele lhe oferece um café em que coloca algum tipo de droga. Confusa, ela é sequestrada e arrastada para o meio do deserto australiano. Ele a rouba para si, depois de anos a observando, e ainda espera que ela o ame. Os dias se passam e eles têm apenas um ao outro na imensidão vazia e escaldante do deserto, e Gemma começa a entender e conhecer Ty. É aí que os limites entre inimizade e compaixão vão ficando cada vez mais tênues...
Stolen é um livro difícil. Difícil por que ele divide opiniões e te faz refletir bastante. É como se você, leitor, estivesse tentando escolher de que lado vai ficar. O que me interessou nele foi a discussão de um assunto não muito falado: A Síndrome do Estocolmo. Para quem não sabe o que é (e tem até uma nota nas primeiras páginas do livro falando sobre isso) é quando uma vítima acaba estabelecendo algum vínculo emocional com o seu sequestrador.

O livro é narrado em primeira pessoa por Gemma, a vítima, no qual ela conta como se estivesse escrevendo uma carta ao seu sequestrador, contando tudo o que aconteceu e todos os seus sentimentos em relação a isso, desde o dia em que foi sequestrada até o dia em que foi resgatada. O sequestrador em questão chama-se Tyler MacFarlane (Ty) e como diz a sinopse acima, ele a sequestra no aeroporto de Bangkok e a leva para um deserto australiano. Agora, você, se coloque no lugar de Gemma e se imagine acordar no meio de um deserto, longe de sua família e longe de tudo o que você conhece. Apavorante, não?

"É engraçado, mas sempre achei que podia confiar em olhos azuis. De certa forma, eu achava que eram sinceros. Os mocinhos tem olhos azuis. Olhos escuros são para os vilões...O Ceifador, o Coringa, os zumbis."
O Ty por sua vez, é um personagem quase impossível de se odiar. E é perturbante, por que você deve odiá-lo, afinal de contas, ele é o sequestrador. Mas diferente do que eu pensava, o Ty não é violento, aproveitador ou algo assim... ele é só um cara traumatizado, abandonado pelos pais, que tenta, mesmo que inconscientemente, aplacar essa carência em Gemma. É algo para sentir pena, não ódio. E assim como Gemma, eu também me perguntei várias vezes o que poderia ter acontecido se os dois estivessem numa realidade diferente. Há toda a química e tensão em volta dos dois. Gemma até tenta negar, mas sim, ela se sente atraída por Ty. Este mantém uma paixão doentia por ela. Os dois estão sozinhos no meio de um deserto e se atraem e se repelem o tempo inteiro.

É surpreendente, e tenso, ao mesmo tempo, por que você não sabe o que pode acontecer depois. Gemma tem ataques de pânico e Ty também perde o controle inúmeras vezes. E no final, dá pra ficar um pouco triste com o rumo que a estória toma. Além disso, o final do livro me fez pensar sobre algo tão óbvio, mas que eu nunca parei para pensar antes: O quanto a pressão da mídia pode dificultar na recuperação psicológica de vítimas de sequestros e coisas do tipo. Isso, que poderia passar despercebido tomou conta da minha mente de uma forma que achei relevante por na resenha. Enfim, eu achei o livro ótimo e para terminar, deixo essa pergunta para vocês:

O que você faria se fosse vítima de um sequestro?