Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

29.9.13

[RESENHA] Razão e Sensibilidade

Este romance concentra sua narrativa nas idílicas tramas de amor e desilusão em que duas belas irmãs inglesas se envolvem - Elinor e Marianne Dashwood - quando chega a idade do casamento. À procura do amor verdadeiro, as filhas órfãs de uma família pertencente à pequena nobreza enfrentam o mundo repleto de interesses e intrigas da alta aristocracia. Marianne e Elinor representam polos opostos do universo ético de Austen - enquanto Marianne é romântica, musical e dada a rompantes de espontaneidade, Elinor é a encarnação da prudência e do decoro.


Eu sempre considero super difícil fazer uma resenha de um livro da Jane Austen, por achar que por mais que eu tente, minhas explicações não seriam o bastante para suas maravilhosas estórias. Depois de dias sem postar nada no blog (me desculpem), eis que trago mais uma obra da querida Austen para vocês, que não foi a melhor na minha opinião, mas que nem por isso perde seu encanto.

Razão e Sensibilidade, assim como outros livros de Jane é ambientado na Inglaterra/Século XVIII e tem todo o olhar crítico na sociedade daquela época, apesar de que nesse livro isso não seja tão palpável quanto em obras como Orgulho e Preconceito. O livro nos apresenta de início, as irmãs Dashwood, que depois da morte do pai, perdem a herança para um meio-irmão. Assim, as duas senhoritas vão junto com sua mãe e irmã Margaret (que não recebe muito destaque na estória já que é nova demais) para um simples chalé em Barton, então é lá onde tudo acontece.

Elinor e Marianne, apesar de serem praticamente dois polos completamente opostos, tem as suas semelhanças; ambas são muito emotivas, porém Elinor se esforça para esconder seus sentimentos e usar a razão, enquanto Marianne faz de tudo para acentuá-los. Há também o estímulo da mãe em intensificar essa característica de Marianne e censurar o controle emocional e discrição de Elinor.

... Elinor, a filha mais velha, cujo conselho foi tão eficiente, possuía uma força de entendimento e uma frieza de julgamento que a qualificavam...As habilidades de Marianne eram, sob muitos aspectos, bastante semelhantes a de Elinor. Era sensível e inteligente, suas alegrias não tinham limites. Era generosa, agradável, interessante:era tudo, menos prudente. A semelhança entre ela e a mãe era impressionantíssima.

O começo do livro é muito monótomo e tranquilo até que aparece o charmoso e alegre Willoughby, que vai fazer com que Marianne morra de amores por ele. Eles se aproximam rapidamente e todos, inclusive a mãe das meninas, apoiam e não duvidam da possibilidade de um casamento. O problema é que Marianne acaba descobrindo que seu amado não é tão leal quanto pensava, o que vai fazê-la cair numa prolongação de páginas e mais páginas de puro sofrimento.

Há também o objeto da afeição de Elinor,  Edward Ferrars. Devo confessar que gostei bastante dele. Os dois são muito parecidos e ele nutre um amor muito forte por ela, que é sufocado por conta das exigências de sua mãe e um compromisso imaturo. Esse obstáculo abre margem para entrada e desenvolvimento de outros personagens importantes como Fanny, Lucy Steele e a querida Sra. Jennings.

Ao mesmo tempo que Marianne se nega a resistir a tristeza, Elinor esconde o seu próprio sofrimento ao descobir que o seu amado estava comprometido faz muito tempo. O interessante é que mesmo sabendo disso, Elinor nunca duvidou da afeição que ele sentia por ela. Alguns escândalos e maus entendidos acontecem ao longo da estória, dissipando completamente a monotonia de começo do livro.

Razão e Sensibilidade pode parecer meio tedioso no início, mas é só uma forma de "preparar o terreno" para as surpresas do final. É um livro que nos mostra bastante sobre a cultura inglesa em todos os aspectos. É um livro de época, ou seja, algumas coisas que são comuns em romances de hoje em dia, não estarão presentes ou estarão pouco frequentes neste tipo de obra, como por exemplo, contato físico. Como um livro de vocabulário mais antigo, demorei um pouco mais do que o costume para terminar de ler. Apesar de tudo, não deixou de ser uma leitura prazerosa.