Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

12.9.13

F 2ª TEMP: O ENIGMA - Capítulo 3

LIZA
Eu me espanto com a visão de Rachael em frente ao meu leito. É a primeira vez que eu a vejo depois de tanto tempo, e quando ela finalmente vem me ver, acaba me pegando num momento como esse. Eu empurro Will num impulso e ele perde um pouco o equilíbrio.

"Eu deveria voltar numa outra hora?"
   - Ela pergunta. Will vai para o canto da sala, calado, enquanto eu tento explicar o que aconteceu. Rachael percebe o meu embaraço e diz:
"Relaxe, Liza. Você não fez nada de errado, certo?"

Então ela olha para Will como se estivesse lhe passando uma indireta. Ele abaixa a cabeça. Eu não entendo o comportamento dos dois, mas decido não objetar. Will, por sua vez, parece muito mais envergonhado do que eu e decide ir embora. Rachael se senta no canto da minha cama e pergunta:

"Então, como se sente?"
   - Só agora me dou conta do quanto minha irmã mais nova cresceu. Seu rosto mudou, seu corpo e até sua voz. Ela, que quando sequestrada teve sua cabeça raspada, agora mantêm um cabelo na altura dos ombros. Rachael parece mais cansada e eu queria saber o que andou fazendo em sua vida nesses últimos anos. Mas ela me fez uma pergunta, e para falar a verdade, eu não sei bem como responder. Então eu dou a resposta mais comum que alguém pode dar, mesmo sabendo que talvez isso não seja real:


"Eu me sinto bem."

RACHAEL

"Isso é loucura."
   - Will repete pela milésima vez, como se eu não tivesse me dado conta do risco deste ato. Eu ando de um lado para o outro, tentando organizar os meus pensamentos. Quando que a minha vida virou de cabeça para baixo?
"Eu não vou deixar isso acontecer, desculpa, mas a gente não pode continuar esse joguinho."

"O que você quer que eu faça?!"
   - Eu estouro.
"Quer que eu coloque as cartas na mesa e revele para a Liza que não a esperamos? Tem mesmo certeza de que isso é o melhor a fazer?"

"Você não vai conseguir esconder por muito tempo."

"Will, escute."
  - Digo, respirando fundo, tentando assumir a postura calma e vestir a velha máscara de tranquilidade que sempre uso com meus pacientes.
"Liza acabou de sair do coma. Ela não tem ninguém, aliás, ela não tem nem noção do que aconteceu com si própria. Liza está desorientada e eu tenho que ajudá-la, não despejar um monte de informações nas cabeça dela."

"E quanto tempo você acha que vai sustentar suas mentiras? Aliás, doutora Vaccari, a senhora acha mesmo que mentir é um bom jeito de tratar seus pacientes?"
  - Will me diz, com sarcasmo, mas eu sei que ele está espumando de raiva.

"Liza não é um dos meus pacientes. Ela é minha irmã. É muito mais complicado do que isso."

"Ah, claro!"
  - Ele cospe.
"Como se o fato dela ser sua irmã faz suas mentiras mais nobres."

"Ironia não é gentil, Will."
  - Respondo.
"E afinal de contas, quem é você mesmo para falar alguma coisa?"

"Do que está falando?"

"Faça-me o favor, Richmond. Bastou a minha irmã acordar para você ficar se esfregando nela de novo."
   - Ele parece surpreso com a minha resposta. Seu rosto é um misto de espanto e fúria.

"Não é bem assim..."
   - Will tenta se defender, mas lanço minha cartada final:

"Pode até não ser, não estou interessada em ouvir suas conclusões do que é certo ou errado. Mas, ao invés de tentar se explicar, por que não tenta ver pelo lado da Liza? Ou você acha que ela simplesmente iria passar a mão pela sua cabeça?"

Ele se cala e desaba na poltrona, absorvendo minhas palavras.
Então, quando eu percebo que ganhei o jogo, pego minha bolsa e vou embora.