Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

8.8.13

[CONTO] Fúria - Capítulo 15

Eu estou nos corredores de um hospital.
Enquanto não tenho noticias de Rachael, tento me fixar em detalhes bobos, só para não perder a calma. Por exemplo, cores. Quase tudo nesse lugar é branco. Um branco alvo, limpo, um pouco reluzente até. Eu sou um pontinho preto no meio de toda essa brancura. Há também o azul. Ele está presente em vários tons, no pijama cirúrgico dos médicos. Eles usam azul escuro, azul claro e um roxo meio doentio. Não é como o roxo dos quartos de criança, ou o roxo do vestido da alegre debutante em seus sonhados 15 anos. É um roxo sério, um roxo cirúrgico. Ocupo todo o meu tempo pensando que essa variação de tons serve apenas para diferenciar cirurgiões e residentes, de áreas diversas. Will deveria estar aqui comigo, mas ele foi chamado pelos agentes para resolver algumas coisas. Rachael estava tão machucada que mal conseguia se sustentar em pé, então eles chamaram uma ambulância. O homem do Wall Street está morto, afinal. Meu tiro o acertou na cabeça. Ele desabou e Rachael se jogou nos meus braços.

    Eu interrompo os meus pensamentos quando uma médica atravessa os corredores olhando para mim e eu me levanto. Ela se aproxima de mim e diz com a voz suave:

"Parente de Rachael Vaccari?"

"Sim."
   - É o que eu digo.
"Como ela está?"

"Estável. Rachael estava em estado de choque quando apareceu aqui, mas sem nenhuma complicação física e ferimentos leves. Vou deixar com que a senhora converse com ela um pouco, mas creio que talvez seja necessário ela passar um tempo na psiquiatria."

"Rachael não precisa de um psiquiatra. Ela foi sequestrada e torturada. O seu choque é completamente aceitável."
   - Eu digo.

"Exatamente por isso. O sequestro pode ter causado traumas psicológicos para a garota."
    - A médica argumenta calmamente.

"Onde fica o quarto dela?"
    - Pergunto, irritada com o rumo da conversa. Eu só quero ter certeza que a minha irmã está bem e ir embora dali. A mulher me leva a seu quarto e Rachael está lá olhando para a porta, como se soubesse que eu iria entrar.
 
"Rachael."
    - É a unica coisa que eu digo. Penso em perguntar se ela está bem, o que é desnecessário, então eu só seguro sua mão e vejo ela me encarar, serena.

"Você não deveria estar perdendo seu tempo se preocupando comigo."
     - É a primeira frase que ouço dela há dias. Eu a olho confusa e ela completa com uma frase que só aumenta a minha confusão:
"Você tem uma vingança a exercer."

"Como?!"
   - Pergunto, completamente embaraçada no que ela diz. Rachael está pedindo vingança. Ela não faz isso, ela não é assim, quem arquiteta vinganças sou eu, não ela.

"Sua nova chefe, Morgana, é a assassina dos nossos pais."
   
"Rachael, você está bem?"
     - Pergunto, sem ação com a informação que ela me dá. Ela agarra minha mão e diz:

"Eu não estou louca. Você precisa acreditar em mim, Liza."
     - Ela diz.
 "Ela encomendou o assassinato dos nossos pais, ela está por trás de tudo!"

     E por incrível que pareça, eu não duvido de Rachael.
     Eu deixo Rachael e as cores do hospital. Estou numa estrada, disposta a ir ao escritório de Morgana Hansson. Eu não estou tão surpresa com a revelação da minha irmã quanto normalmente estaria. É como se eu sempre soubesse, porém só precisasse de uma confirmação. Eu nunca confiei realmente na minha chefe. Há tantos pensamentos na minha cabeça agora que tenho medo de acabar batendo o carro, o que é irrelevante, pois ultimamente eu sempre dirijo sem muita atenção. Tudo agora parece fazer sentido. A morte de Monteiro, a vinda dela para cá. Seu jeito sempre foi intrigante. Morgana Hansson veio me caçar. A unica pergunta que toma conta da minha mente é: Por que ela demorou tanto para agir?
   Eu não demoro muito para chegar em seu escritório. Eu me sinto exausta, mas determinada a acabar com tudo isso. Quando eu abro a porta, checo se o escritório está vazio antes de ir para seu gabinete. Não há ninguém nos corredores. Eu não quero apenas colocar uma bala em sua cabeça. Eu quero saber a história, eu quero saber o que a motivou a fazer isso. Eu sinto que há algo de muito maior por trás disso, mas receio que Morgana não vá me dar respostas. A verdade é que eu nunca soube tanto sobre a minha família quanto eu deveria saber.

"O que faz aqui, Vaccari?"
   - Ela diz com seu mesmo tom gelado de sempre.
"Fiquei sabendo que estava auxiliando no resgate de sua irmã."

"Ah, claro."
   - Eu digo, sarcástica.
"Com certeza você foi a primeira a saber disso né, já que seus capangas sempre lhe mantém informada."

    Eu posso ver a desconfiança em seu rosto. Ela me encara severamente e diz:

"Do que está falando?"

    Então eu saco o revólver e digo pausadamente:

"Você encomendou o assassinato dos Vaccari."
      - Ela encara o cano do meu revólver e depois levanta os olhos cautelosamente para ver meu rosto. Morgana permanece calada enquanto eu solto:
"Então você me achou e veio para Manhattan terminar o serviço, não foi?"

   Estranhamente, vejo um sorriso brotar dos seus lábios. Não fico impressionada em ver que ela mantém a calma com um revólver apontado para ela. Morgana Hansson é a pessoa mais fria que já conheci.

"Ah, Vaccari"
    - Ela começa.
"Pensei que você nunca fosse matar a charada."

     A minha lista de assassinatos então aumenta, mas a única sensação que tenho é de estar apertando o gatilho pela última vez.

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