Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

5.8.13

[CONTO] Fúria - Capítulo 14

Há Will, eu e o celular.
Mark o grampeou e me mandou para casa, afim de quem sabe receber alguma ligação dos sequestradores. Ele nos disse que há qualquer momento poderia acontecer o resgate, então estamos sentados e bem alertas no sofá. Mark vai tentar rastrear o local onde Rachael está através das ligações dos sequestradores. Como ele vai fazer isso, eu não sei, mas ele deve ser experiente nesse ramo.



"Seria interessante se você parasse de dar voltas no meio da sala e se acomodasse aqui."
   - Will me diz. Ele me encara, sentado relaxadamente no sofá. Como ele consegue ficar tão desleixado num momento como esse? Apesar de estar muito nervosa, decido acatar seu pedido e me sento ao lado dele.

"Desculpe."
   - É o que eu digo.
"Eu só não consigo me segurar."


"Você tem que se acalmar, Liza. Não vai auxiliar a missão nervosa desse jeito."
    - Eu o encaro ameaçadoramente. Ficar fora da missão de resgate da minha irmã é algo fora de cogitação. Ele sabe que eu vou para aquele lugar, não importa o quão nervosa eu esteja. Apesar de eu o olhar como se estivesse prestes a lhe apunhalar com qualquer coisa que mate, Will ri da minha cara e diz:
"Sua cara de serial kiler não convenceu."

"Não ria. O humorista aqui é você e não eu."
   - Digo carrancuda.
"Me diga algo tranquilizante."

  Então ele se aproxima mais de mim. Eu vou contando mentalmente os centímetros que nos separam; 6, 3, 2. Nossos narizes se tocam e eu não faço nada para recuar, até por que eu quero isso tanto quanto ele. Will me olha fixamente, primeiro para os meus lábios e então seu olhar crava no meu. Um sorriso sapeca brota dos seus lábios e ele diz:

"E por acaso há algo que eu possa dizer que te tranquilize?"

"Não."
  - Respondo.
"Mas certamente há algo que você possa fazer."

    Então Will finalmente me puxa para si e cola seus lábios nos meus. Eu devo confessar que estava com saudade deles. Eu acabo em seu colo enquanto suas mãos envolvem minha cintura e eu mergulho os dedos em seu cabelo macio. Parece um encaixe perfeito. Eu e ele, parece bom. Parece certo. Eu não sei se já disse isso, mas também não importa, por que a unica coisa que tenho noção é de que seu beijo afasta todos os problemas. É como se o vazio fosse preenchido. Pela primeira vez em semanas, eu me sinto realmente bem. Mas é como dizem, o que é bom dura pouco.
   Nós temos que interromper o beijo por que o meu celular toca. Nós nos entreolhamos e eu pulo e vou atender o telefone. Não é uma surpresa encontrar a voz opressora e estranha do sequestrador do outro lado da linha. Eu lanço um olhar para Will que faz com que ele saiba quem está falando comigo. Eu conheço essa voz. Eu já tive alguns infelizes encontros com o dono desta voz. Ele matou Jena. Ele sequestrou Rachael. Ele tentou me matar duas vezes. Nem assim, eu não consigo sentir medo dele. Aliás, em relação a ele, não há nada além de repulsa.

"Devo confessar que estou impressionado por você ter mantido o controle depois de tudo. Será que não pensa que posso matar sua irmã a qualquer momento?"

      Eu solto uma risada forçada. A verdade é que estou tensa demais pra rir, mesmo que seja só de escárnio.

"Você não vai matá-la."
     - Eu digo.
"Por que você sabe que vou te caçar até no inferno se o fizer."

   Por alguma razão ele se cala por um tempo. Quando eu penso que ele desligou, sua voz soa novamente:

"O tempo está acabando, Liza."
   
    Isso é tudo. Então ele desliga. Will me lança um olhar de aprovação. Nem eu, nem ele temos tempo de dizer nada, por que o celular soa novamente. Mark.

"Venham aqui."
     - Mark diz.
"Acabei de achar o paradeiro da garota."

     Eu estou surpresa com a rapidez do Mark, mas Will parece já estar acostumado com isso. Quando chegamos ao escritório dele, Mark parece tão sereno quanto antes. Ele nos mostra onde está o local e chama o FBI. Depois de tudo acionado, Mark vira para nós e diz:

"Ele já sabe que o encontramos. Se eu fosse vocês iriam até lá o mais rápido possível antes que a percam de vista. Há essa hora eles já devem estar planejando uma fuga."

       E nós seguimos o conselho de Mark. Will dirige com toda velocidade até o local onde Rachael está. Não demorará muito para que todo o quarteirão esteja cercado de agentes policiais. A rua é escura, o asfalto gasto e mais além há uma cerca de arame farpado que separa a pista de um matagal. Eu posso ver um barraco de longe. É ali onde Rachael está. Nós passamos pela cerca. Armas em punho, estamos ignorando qualquer ordem do FBI em se manter longe do local até que os agentes chegassem. Nós somos detetives, agentes abituados a esse tipo de coisa, e não um bando de amadores. Essa regra nós podemos quebrar. E mesmo se eu não fosse uma detetive, eu avançaria do mesmo jeito. Nós caminhamos sorrateiramente sobre a grama alta, tomando cuidado com cobras, escorpiões e outros bichos perigosos que vivem aqui. Há também o cuidado de não sermos vistos nem ouvidos. Eu e Will escolhemos um lado da casa para invadir. Eu acabei ficando com o que supostamente é os fundos. Quando eu finalmente fico de frente para a porta velha de madeira, ouço um barulho de coisa arrastando. A porta se balança algumas vezes e eu sei quem alguém está a forçando para abrir. Will está prestes a invadir quando faço sinal para que ele espere. Minha arma mira na porta e eu tento fazer o menor barulho possível. Quando a porta finalmente abre, me deparo com outro revólver. Só que este revólver aponta para a cabeça de Rachael.
   
"Pensou que eu não sabia que você viria atrás de mim?"
    - É o que ele diz. Rachael me encara com os olhos arregalados. Eles a destruíram. Ela está machucada, suja e sem um fio de cabelo em sua cabeça. Ela usa suas roupas normais, um jeans e uma regata que costumava ser branca, mas que agora está tão imunda que mudou de cor. Eu tenho que desviar o olhar nela e prestar a atenção nele. Ele é a ameaça. Não há tempo para sentimentos agora.
"Eu não sou burro. Eu te conheço. Te conheço tão bem que sei que você é tão estúpida quanto seus pais e toda sua familiazinha inútil. Vocês não pensam. Vocês são vingativos e impulsivos e isso é irritante. Me deixa perplexo o fato de que você ainda esteja viva."

   É a primeira vez que o vejo nervoso. Fora do controle. Eu posso ouvir Will invadindo a casa e todo o barulho de tiros lá dentro. Realmente, o meu tempo está acabando. Parece que num mesmo segundo tudo acontece. Eu vejo os agentes chegarem e avançarem no matagal. Eu ouço os sons dos tiros e tento tirar da minha mente a ideia apavorante de que Will acabe morto. Eu tento não olhar para Rachael e ver o que fizeram com ela por minha causa. Eu só tento fixar minhas atenções no homem da maleta prateada, sua arma e pensar no meu próximo passo.

"Eu posso até ser estúpida,"
    - Começo, sabendo que o meu próximo passo pode significar minha vitória ou minha desgraça.
"Mas não tanto quanto você."

    E então, eu aperto o gatilho.

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