Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

17.7.13

[CONTO] Fúria - Capítulo 9

Quando volto para casa,  a exaustão toma conta de mim.
Eu estou tão cansada que não suporto pensar em qualquer assunto, por menor que seja.
Eu quero conter o avalanche de informações e acontecimentos que giram na minha mente. Quero desligar minha cabeça nem que seja por alguns instantes.
Tenho sorte por Rachael não estar em casa, entretanto.
Não quero falar com ninguém, não quero fazer nada. Então, eu apenas deslizo para meus cobertores e durmo.

   Meu sono infelizmente não é nada tranquilo e não demora para que pesadelos se arrastem para ele. Acordo em um sobressalto. Estou enrolada em cobertores, mas meu corpo está queimando de calor. Suando, tremendo com o terror do pesadelo.
Eu tenho que ver aquele cara de novo.
Ele não é como Jack, ele pode me fornecer muito mais informações do que ele.
Olho para o relógio. Ainda são 20 horas. Eu vou tomar um banho gelado e desço para atender a campainha. Quando abro a porta, Will está lá.

"Hey Will."
  - É a unica coisa que consigo dizer. Ele franze a testa pra mim e diz:

"Hey Liza."

   Eu o faço entrar e ele se senta no sofá. Há algo de estranho nele. Will está inquieto, preocupado. Como se ele quisesse dizer algo, mas não conseguisse. Nós ficamos em silêncio durante alguns instantes e o mesmo me irrita, então, quando não aguento mais, solto impaciente:

"O que é?"

"Liza, eu sei que você esteve na casa onde Monteiro foi assassinado."
    - Ele me diz. Então completa:
"E eu tentei, eu bem que tentei achar um motivo sensato para a sua ida lá, mas não achei nenhum."

   Eu examino a sua expressão e um pensamento horroroso passa pela minha mente. Será que Will pensa que eu tive algo a ver com a morte dele? Será que ele acha que sou capaz de matar meu próprio chefe? A ideia de que ele esteja cogitando a possibilidade de eu ter participação nesse assassinato me enfurece. Ele percebe a fúria em meu rosto, por que ele fala:

"Eu só quero saber o que você estava fazendo lá, apenas."

"Assuntos meus."
   - digo secamente.

"Liza, se você ainda não percebeu, você estava numa cena de assassinato, sem nenhum motivo aparente. Vão usar isso contra você em uma investigação."

"Ninguém vai investigar a morte dele!"
   - Estouro.
"Não vão investigar, por que quem o matou foi a mafia!"

"Como você sabe disso?"
   - Ele exige.

"Não importa."
  - Digo, me levantando. Eu quero sair de perto dele e não ter que falar mais nada, mas ele segura meu braço e diz:

"Liza, você está envolvida nessa mafia? O que você estava fazendo naquela casa?"

"Não interessa!"
  - digo, meu tom de voz mais alto. Eu estou chateada por ele estar me indagando e mais ainda por estar soltando informações a ele.

"Interessa sim!"
  - Ele grita.
"Quantas vezes eu vou ter que te dizer para não se envolver nisso?!"

"Você não sabe de nada!"
  - Digo. Então eu cuspo as próximas palavras para ele, cheias de mágoa:
"Você não tem idéia do quanto isso é importante para mim! É muito mais do que você pensa, mas você não vai entender não é?"

"Me faça entender, então."
   - Ele me diz calmamente. Eu estou decidida a não contar nada a Will, até que ele me diz a seguinte frase:
"Se me contar porque isso te afeta tanto, eu juro que apoiarei você."

  Suas palavras soam verdadeiras e calmas.
  E me faz estupidamente, levá-lo comigo até o Wall Street.
  Eu sinceramente não queria que ele viesse, mas ele insistiu que viria. Agora ele sabe que eu estou atrás dos assassinos dos meus pais, e está disposto a correr todos os riscos atrás desse plano louco de vingança comigo, mas por quê?
   A unica coisa que escondi de Will foi a forma como matei Jack. Fiquei receosa em dizer a forma brutal com a qual eu o torturei, e a unica coisa que disse, foi que minha bala pegou sua cabeça. Foi mais ou menos a verdade. De fato eu atirei em sua cabeça. E os detalhes sádicos da tortura não são informações relevantes. Eu explico por que estou aqui, e nós dois ficamos dispostos a procurar o homem da maleta prateada que falou comigo ao telefone.
   Will e eu saímos do carro e seguimos para direções diferentes do Wall Street. Tentamos agir com o máximo de sutileza possível. Não é muito provável que possamos encontrá-lo novamente, mas também não é impossível. Caminho para longe da parte central e movimentada. Passo pelos intervalos dos prédios e arranha céus. Nem sinal dele. Torço para que Will o encontre ao invés de mim. Penso em toda aquela cena horrível de Jena naquela poça de sangue e meu estômago se contorce só de pensar em me encontrar com aquele homem asqueroso.
   Passo horas vageando pelo Wall Street e começo a pensar que ele não está aqui.
   Por um lado fico aliviada, mas por outro, fico apreensiva por Will também não conseguir encontrá-lo. Eu não posso perdê-lo de vista. Não agora, com tantas informações escassas dele.
   Mas então, num rápido momento de distração, alguém vem por trás de mim e tampa minha boca.
   Sua mão é um pouco áspera e pelo tamanho, é de um homem.
   Sim, ele veio atrás de mim.
   Ele sabia que eu voltaria.
   Tento me debater, mas o cano de seu revólver está bem na minha cabeça.
   Ele começa a me puxar para trás, sem folgar o aperto.
   Penso em pegar a arma, mas ele está tão colado a mim que perceberá qualquer movimento da minha mão.
  Há algo de estranho em mim. Não estou com medo, mas deveria estar.
  Eu só tenho o sentimento de satisfação por não ter o perdido por completo de vista.
  E quando eu decido ir com ele, sem muitas objeções, ouço um barulho de tiro e estremeço.
  O homem grita bem no meu ouvido, solta minha boca e cai no chão.
  Me viro subitamente para trás, e vejo que o tiro pegou sua perna.
  Ele tenta pegar a arma de volta, mas eu a chuto para longe.
  E quem fez o disparo, obviamente, foi Will.

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