Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

6.7.13

[CONTO] Fúria - Capítulo 7

Eu estou em um cemitério.
Rachael não está comigo como da ultima fez em que visitamos um.
Hoje é o enterro do Monteiro. Eu posso ver uma ou duas pessoas conhecidas no meio da multidão.
É estranho, a quantidade de gente aqui. Pelo que eu sabia, Monteiro não era um homem muito amigável. Pelo contrário, a rigidez e frieza que ele acumulou em sua personalidade durantes anos de trabalho, só o afastava das pessoas.
"Eu vinguei sua morte, Monteiro." - penso.


    O episódio do Jack ainda está bem vivo na minha memória. É claro que ninguém sabe o que aconteceu e nem vão saber. Eu seria destituída do meu cargo imediatamente. Seria até presa. A cena da morte de Jack passa e repassa na minha mente. Eu disparei três tiros em sua cabeça. O sangue tem uma cor estranha quando é expelido em grande quantidade. Um vermelho escuro. De vez em quando eu me pergunto: Eu fiz mesmo isso? Então eu me forço a lembrar a forma brutal em que os meus pais foram mortos e todo esboço de remorso se dissipa. Eu caminho sozinha, meus olhos fixos para frente. Eu não pisco um só segundo. Parece que estou em transe. Nas ultimas horas eu me sinto meio desse jeito. Sinto um braço se enroscar no meu e viro o rosto para ver Lauren me olhando cautelosamente. Ela acha mesmo que eu estou prestes a me quebrar em mil pedacinhos. Que boba. Monteiro pode ter sido meu chefe durante muitos anos, mas ele não significa tudo isso para mim. O motivo da minha distância é o simples fato de que estou gastando tempo pensando no meu próximo passo. Se é que eu vou dar um.
    Lauren me diz que vai ficar tudo bem. Ela já repetiu isso tantas vezes que começo a ficar irritada. Meus movimentos continuam tão lentos quanto antes, mas sua presença me deixa internamente inquieta. Só a chegada de Will me faz acalmar. Eu não sei o que ele tem que me tranquiliza. E quando ele finalmente faz com que Lauren se afaste, eu sussurro:

"Obrigada. Se Lauren me dissesse que tudo está bem mais uma vez, eu era capaz de lhe dar um soco."
    - Will ri e passa seu braço por meu ombro. Eu sei que ele está preocupado comigo. Pelo menos, é o que parece. Mas ele não toca no assunto. Não fala de Jack, nem de Monteiro, ao que eu agradeço imensamente.

"Eu aproveitei o fato de que seu irmão acabou de voltar da Alemanha e a está procurando."
   - Ele me diz. Então a conversa cessa. Não há mais nada para falar. Nós assistimos o enterro, abraçados um ao outro e isso foi o suficiente. Depois, eu, Will, Lauren e seu irmão Edward passamos o almoço falando sobre coisas fúteis.
   O irmão de Lauren é um jovem agente. Apenas 31 anos. Edward é um cara bonito, mas diferente de Will, ele não tem aquele ar orgulhoso. Isso me faz pensar que nem sempre ele andou chamando a atenção das mulheres. Caras que sempre foram bonitos desde moços, carregam com eles aquela prepotência e um ar esnobe. Como se eles já estivessem cansados de saber o quanto são maravilhosos. Eu não vejo isso em Edward. Pelo contrário, ele é um pouco tímido nesse quesito. Nada que possa atrapalha-lo. Descubro que ele já está acostumado com esse ramo. Além de amigo de Monteiro, ele era chefe de um grupo de agentes secretos na Alemanha. O grupo era algo como "caçar terroristas e exterminar a ultima faísca do nazismo." Descubro também que ele é um amigo muito próximo da nossa designada nova chefe. O nome dela é Morgana Hansson e Edward nos assegura de que ela estará em NY em pouco tempo. Talvez amanhã ela já esteja aqui. Fico pensando no porquê que designaram uma mulher de lá da Suécia para tomar o cargo do Monteiro.
    Will insiste para me levar para casa, mas eu teimo e decido ir sozinha. Eu entro no carro, mas quando viro meu rosto, vejo um pedaço de papel no banco do passageiro. Ele não estava aqui na ultima vez em que estive nesse carro. Pego o pedaço de papel e vejo que é um bilhete escrito em uma linda grafia. Eis os dizeres:

"Eu sei quem você é e você sabe quem eu sou. 
 Me encontre no Wall Street às 15 hrs. 
 Não vai se arrepender." 
                       
15 horas. 
Olho para o relógio e vejo que são 14:30.
Amasso o papel e decido ignorar o convite. 
Começo a dirigir em direção a minha casa, mas quanto mais eu avanço, mais inquieta eu fico. 
Eu preciso saber o que isso quer dizer. 
Sem pensar mais, eu dou meia volta e dirijo em direção ao Wall Street. 
É. 
Eu tenho um encontro importante daqui a 30 minutos.