Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

21.6.13

[RESENHA] Divergente

Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição – e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto.
A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é.
E acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive.

Divergente é uma distopia YA que anda sendo muito comparada com Jogos Vorazes pelo simples fato de ter o mesmo perfil de uma distopia: cenário futurista, governo autoritário, muita ação e uma dose de romance. Mas o que difere essas duas distopias é o fato de que nos Hunger Games, não há muita ciência envolvida, as pessoas são controladas por meio da opressão, algo do tipo "Ou você anda na linha, ou você morre."

Já no best-seller de Veronica Roth, as pessoas não tem sequer o direito de tomar decisões por escolha própria. Elas não tem controle sobre suas mentes porque a ciência agora está tão avançada que é capaz de te rotular e te dizer o que fazer por meio de soros. Elas não são pessoas com opiniões e valores diferentes e sim pedaços de cada facção que age como os costumes da mesma mandam. Se você pertence à Abnegação, você deve usar cinza e comportar-se de formas discretas; se for da Erudição, deve usar azul e buscar o conhecimento acima de tudo; Franqueza te faz usar preto e branco, assim como falar tudo o que vier na sua mente, não importa quais consequências essa sinceridade exagerada poderá ter; O traje da Amizade é o amarelo e vermelho, cores fortes, que fazem alusão ao carisma e alegria que deverá estar fixado em sua personalidade; E na Audácia, você usa preto e é corajoso ao extremo.

E no meio de todo esse novo mundo utópico, onde as pessoas sabem o seu lugar e onde a paz reina, eis que há os divergentes. Na Chicago futurista de Veronica Roth, as pessoas abrem mão de suas opiniões, seus gostos, sua família em prol de sua facção e da estabilidade de sua sociedade. Elas são rotuladas e controladas e ninguém parece se importar com isso. Exceto os divergentes. Eles são a ameaça ao sistema. E Beatrice Prior descobre que é um deles. Inicialmente, ser divergente é apenas ter aptidão para várias facções, mas não só a protagonista como nós, leitores, descobrimos ao longo da estória que divergência vai muito além disso. E as escolhas de Beatrice podem significar a vida ou a morte.

Divergente é narrado em primeira pessoa por sua protagonista e envolve muita ação e romance. Eu devo confessar que gosto muito de distopias, principalmente pelo fato de todo o questionamento sobre que rumo nossa sociedade vai tomar. Por incrível que pareça, algumas coisas da estória se assemelham ao cenário de hoje. Não vou aprofundar nesse assunto, mas apenas vou traçar um paralelo entre a estória futurística e o mundo real: Em Divergente, o povo é controlado com soros e simulações, com o avanço da ciência e seu poder sobre a mente das pessoas. Já no mundo de hoje, especificamente, no país em que vivemos, as pessoas são controladas através da ignorância e alienação.