Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

29.6.13

[CONTO] Fúria - Capítulo 4

   15 dias se passam e nada de diferente acontece. Jack foi levado em julgamento. Eu estou começando a pensar em deixar tudo isso para lá. Talvez seja mesmo só uma tatuagem. Ele será condenado do mesmo jeito. Decido me convencer de que não é necessário uma atitude minha e deixo com que a própria justiça cuide dele. Eu vou para o trabalho mais leve. O dia está mais quente hoje. Monteiro disse que tenho uma nova tarefa, então não demoro a chegar em seu escritório. Eu estaciono o carro alguns metros longe e começo a caminhar tranquilamente. A melhor sensação que há é quando você se desfaz de uma confusão que te atormenta à dias. É uma sensação nova de liberdade. É a primeira vez que estou realmente feliz em semanas.


"Hey!"
  - Uma voz feminina grita. Eu me viro para o lado da voz e vejo uma moça correndo em minha direção com dois copos de café na mão. Cabelos longos bem pretos e olhos castanho escuro. Eu a conheço. Essa é Lauren Black. Trabalhamos juntas, mas ela estava um tempo fora. Ele me alcança ofegante e me entrega o copo de café.

 "Quanto tempo, Liza! Como vão as coisas?"
     - Ela pergunta sorridente.

  "Bem, obrigada. Você não estava em Boston com o Alex?"
   - Digo, tomando um gole do café.

  "Sim, mas ele me mandou voltar. Eu já tinha completado boa parte da tarefa e ele disse que o Monteiro estava precisando de uma ajudinha."
   - Ela diz e eu sorrio. Fico feliz que Lauren esteja de volta. Ela diz divertida:
"Então, fiquei sabendo que você andou atirando facas por aí."

"Já ficou sabendo do Jack? Bom, ele está vivo de qualquer forma."
   - Respondo. Eu já estou abrindo a porta do escritório quando Lauren diz distraidamente:

"É uma pena que ele acabou sendo absolvido."

"O que?!"
  - Exclamo indignada. Lauren me olha surpresa e diz:

"Você não sabia?"

"Quem te contou?"
    - Exijo.

"Monteiro ué."
  - Ela diz como se fosse óbvio.
"Eu esperava que ele tivesse te dito isso também."

   Entro no escritório e ando em direção a sala de Monteiro que fica no fim do corredor. Eu era a responsável pelo caso! O Monteiro tinha que me dizer isso. Eu já estou com a mão na maçaneta quando Will aparece.

"Você sabia?!"
   - Pergunto irritada. Odeio quando as pessoas escondem coisas de mim. Ele me olha assustado, levanta os braços e diz:

"Eu sou inocente!"

"Você sabia que o Jack foi solto ou não?"
      - Pergunto de novo. Ele fica sério. Eu insisto, vociferando a mesma frase para ele.

"Sabia."
   - Ele diz baixo.

"Por que não me disse?!"
    - Solto.
"Posso saber porque todo mundo sabe menos eu?!"

"Por que você iria ficar chateada, como está agora."
  - Ele diz. Eu estou quase gritando com ele e mesmo assim Will se mantém calmo, como se nada estivesse acontecendo.
"Escuta, Liza, isso vai muito além do que você pensa. Se você está pensando em tirar satisfações do Monteiro, desista. Há uma forte mafia envolvida nisso..."

"Will!"
  - Lauren dá um grito estridente e dá um forte abraço nele. Will mergulha sua cabeça no ombro de Lauren e olha para mim. Eu ainda não tirei minha mão da maçaneta. Will move uma das mãos da cintura de Lauren e no meio do abraço me faz um sinal para não abrir a porta. Tiro a mão da maçaneta. Não vai adiantar nada exigir satisfações ao Monteiro. Enquanto Lauren conversa animadamente com Will, eu pego o elevador e vou para o andar de cima.

   Estou procurando a ficha do Jack no almoxarifado. Papéis e mais papéis de casos resolvidos ou arquivados. Jack Stevens precisa estar aqui. Eu quero entender como isso aconteceu e para que máfia ele trabalha. Eu preciso mais do que nunca saber tudo sobre ele. A confusão de dias atrás volta a minha mente. Será mesmo que eu estou certa? Eu vi aquela tatuagem no dia do assassinato dos meus pais. É um dos poucos detalhes que lembro nitidamente. E se Jack matou os meus pais, eu jamais posso perdê-lo de vista.

"O que está fazendo?"
  - Me viro e vejo Will encostado na porta. Eu já estou prestes a responder algo seco e cortante, mas vejo algo em sua mão. Papel. Ele está com a ficha do Jack.

"Me dá isso."
  - Ordeno.

"Pra quê?"

"Me dá isso agora!"
   - Vocifero.

"Não vou dar até você me dizer o que quer com isso."
 
"Will, por favor..."

"Por favor digo eu. Esqueça isso Liza."

"Eu só quero entender por que isso aconteceu, só isso."
   - Eu digo cansada. Eu não quero gritar. Eu estou exausta de discutir com Will.

"Isso não está no nosso alcance, Liza. Eu queria que tivesse, de verdade. Eu também queria que ele fosse para cadeira, mas não cabe a nós essa decisão, então, esqueça isso."

   Eu me aproximo dele. Nós nos conhecemos há muito tempo. Nas ultimas semanas, as discursões entre mim e Will tem sido frequentes. Eu vejo isso nos olhos dele. Nós dois estamos cansados de discutir um com o outro. Então, quando eu estou a centímetros de seu rosto, eu sussurro:

"Me dê a ficha. Eu não vou tentar nada, eu vou esquecer isso."
    - Nossos olhos se encontram. Meus olhos são verdes. Os olhos dele são castanhos. Não como os de Lauren. Há algo diferente neles. Seu olhar é intenso, verdadeiro. Estou numa proximidade perigosa. Estou tão perto dele que posso sentir sua respiração.

"Prometa."
  - Ele sussurra de volta.

   Esqueci de sinalizar que eu também odeio mentir. Mas nesse caso, é preciso.

"Eu prometo."

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