Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

28.6.13

[CONTO] Fúria - Capítulo 2


    Meu primeiro impulso é fechar os olhos abertos da moça, e eu o faço.
    Seus olhos são azuis, bem azuis. Iguais aos olhos do meu pai.  Fico pensando no quão brilhantes eles poderiam ser há momentos atrás, e agora eles estão vazios. Opacos. Mortos. Parece que a vida está mesmo tentando me fazer reviver aquele episódio. Eu estou ajoelhada ao lado do corpo da garota. Não me atrevo a tocar na faca, sei que a perícia vai precisar dela pra colher informações.


"Ela estava na festa."
     – Will diz e pelas roupas da mulher, ele está certo. Meu fone, que até então estava mudo, soa a voz rouca do Monteiro:

"Vaccari"
    – Ele me chama. Eu tento responder, mas nada sai.
"Vaccari, está me ouvindo?"

"Estou."
   – Digo. Eu respiro fundo e solto o ar, mas a pressão ainda está ali. Nada pode mexer mais comigo do que algo que me lembre a morte dos meus pais. Mesmo assim, eu tento ser profissional e me forço a voltar a realidade. Não são os meus pais. É só uma garota.

"Ótimo. Onde você está?"

"Central Park."
   – Respondo. Minha voz soa calma agora.
"Há uma garota assassinada aqui."

"Ok, eu não sei por que está no Central Park, mas não importa agora. Escute, os policias logo logo chegarão aí, você está com Will?"

   Eu não presto atenção em nada do que ele diz. Eu não respondo e posso ouvir a sua respiração e o silêncio questionador pelo fone. Ao invés de lhe fornecer informações, me levanto e caminho para frente cuidadosamente. Will tenta me seguir, mas eu não deixo. Ele deve ficar guardando o corpo. Eu sei o que estou fazendo. Ou pelo menos acho que sei. O motivo dessa mudança de acontecimentos é um homem há alguns metros de distancia do corpo. Ele anda a passos rápidos, o que me faz pensar que ele pretende ir embora depressa. Talvez eu esteja seguindo o assassino dessa moça. Eu tiro o suposto batom da carteira e puxo a lâmina. Agora um simples objeto feminino, aparentemente inofensivo, se transformou em uma adaga. Não é um revólver, mas posso me virar com isso. Eu o sigo, passo por várias arvores, tomando o máximo cuidado possível para não provocar ruídos. Droga, eu preciso ver o rosto dele. Ele ainda está de costas para mim. Até que eu tenho uma idéia. Eu continuo avançando até estar a poucos metros de distancia dele. Essa é a hora. Com a mão na faca, eu saio de trás das arvores e começo a andar tranquilamente, sem me preocupar com o barulho do meu salto. Eu estou bem visível. Ele irá perceber minha presença facilmente e...
    Interrompo meus pensamentos. Ele para e se vira para mim. É agora. Fito seu rosto e confirmo minhas suspeitas. É ele. Enfim, encontramos o nosso fujão. Ele me olha com espanto e tenta correr. Ele não vai muito longe, no entanto. O homem não dá 3 passos antes que minha faca crave na parte inferior de suas costas. Ele grita e cai de bruços. Eu me agacho e arranco a faca de suas costas, sem me importar se vai fazê-lo sangrar ainda mais. Ele grita de novo e choraminga quando eu puxo a adaga. Minhas mãos puxam sua cabeça para trás e a faca ensaguentada agora mira em seu pescoço.

"Vim te buscar, querido."
    – Digo na minha voz mais doce. Seu rosto é uma mistura de suor e lágrimas.

"Eu não fiz nada! Eu sou inocente!"
    – Ele exclama desesperadamente.

"Claro, todos são."
    – Respondo com sarcasmo. Então eu ordeno:
"Levanta!"

"Eu estou sangrando!"
    – Ele protesta.

"Não interessa. Vai levantar por bem ou por mal?"

     Ele então se levanta sem objetar. Com muita dificuldade, mas está de pé. Seu paletó está cheio de sangue. Ele pode perder muito sangue e morrer, mas eu não me importo. Vai ser menos um bandido no mundo. Eu o forço a andar e não demoro a encontrar Will, já acompanhado de outros policias e agentes do FBI. Seus olhos vão diretamente na faca ensanguentada e no homem e ele solta para os policias um "ele está ferido". Começa então uma sessão de primeiros socorros e Will se dirige para mim:

"O que você fez?"

"Nada." – respondo.

"Você esfaqueou o cara! Nós ainda precisamos de informações dele antes que morra e você não está autorizada a matar ninguém!"

"O que você queria?!"
    – Explodo.
"Queria que eu o deixasse fugir?!"

"Ele estava com uma faca na coluna. Uma faca na coluna, Liza! Será que você não tinha um lugar menos perigoso para acertá-lo?!"

"Ele está vivo, ok?"
   – Digo impaciente.
"Eu o trouxe vivo, isso é o que importa."

    Will então me olha cauteloso e se cala. Ele tem uma ruga na testa. Essa ruga sempre se forma quando ele está preocupado. Monteiro então aparece e nos manda para o carro. Seguimos o caminho em silêncio. O homem capturado foi levado para o hospital e nós então descobrimos que seu nome verdadeiro é Jack. A perícia levou o corpo da garota e provavelmente vão examinar a faca. Se uma digital dele for encontrada na faca, ele vai ser acusado de homicídio.
     Demora algumas horas até que ele leve alta e vá para delegacia ser interrogado. Will se levanta e eu seguro seu braço. Ele olha para mim e eu digo:

"Eu vou interrogá-lo."

Quer que seu conto venha parar aqui? mande um email para linda.rode@hotmail.com