Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), minimalismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução. Se você for suficientemente observador, verá que esta bio é diferente da bio do ano passado.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

29.4.17

E o universo de Fúria se expande...


Os leitores que acompanharam as três temporadas de Fúria, completas e disponíveis na página de escritos do blog, podem entender minimamente o título deste post. A página de escritos está com novo enredo, de nome "Baed" - "depois", na língua árabe -, que apesar de se passar no universo fictício de Fúria, é independente das três temporadas e está longe dos Vaccari e suas questões externas e internas. A trama gira em torno de Sidney Basner, personagem apresentada em Sentença, sete anos depois do final da terceira temporada.

Para quem não conhece, Fúria foi uma novel escrita em 2013, contando a história de Liza Vaccari, uma orfã e sua irmã, Rachael, que tenta descobrir o que e quem está por trás do assassinato de seus pais. A trama evolui no decorrer das duas temporadas subsequentes, envolvendo questões como tráfico humano, imigração e política externa.

A partir da data deste post, Baed começa a ser publicado na página de escritos, como acontece com todas as obras postadas lá. Confira acima o teaser trailer, e abaixo, a sinopse e o primeiro capítulo:

BAED

Sinopse: Em 2047, a crise das máfias era existente, mas após 7 anos, a situação se tornou insustentável. Neste enredo, mergulhado no universo de Fúria, Sidney Basner se encontra como líder da máfia Hansson num período hostil para organizações criminosas. Com as finanças da máfia caindo e a ascensão de um governo que não pretende soltar suas rédeas, Sidney precisa usar de sua habilidade como articuladora política neste novo mundo para encontrar outra fonte que alimente o clã e a mantenha viva, e na chefia.

CAPÍTULO 1

PEQUIM, 13 DE NOVEMBRO DE 2054, 22H
Sexta-feira 13.
São as únicas estúpidas palavras que se formam em minha mente enquanto as algemas imobilizam meus braços, e os soldados, em suas fardas de um verde apagado doentio, apertam meus braços, empurrando-me para fora do saguão. Tropeço no início da escadaria, maldizendo o salto e o vestido longo, e o bracelete vermelho – estampando a estrela maior da bandeira chinesa –  dos homens que me conduzem é a última coisa que vejo antes do primeiro flash arder em meus olhos.
A imagem deplorável de Sidney Basner, tropeçando sobre os degraus da Yuan Dongli¹, uma das suntuosas propriedades presidenciais, algemada e escoltada por soldados aparecerá em todas as mídias em menos de duas horas, acompanhada do comunicado feito por um abatido primeiro-ministro, avisando à nação que o tão amado presidente acaba de ser assassinado.
O presidente mais popular desde a revolução.
Somente uma mafiosa sem escrúpulos como eu, uma bastarda ocidental, seria capaz de fazer algo tão execrável.

Eu ergo a cabeça, agarrando a dignidade que me resta, enquanto passo pelos jornalistas em direção ao carro.
Não me surpreenderia se os homens que me fotografam estivessem aqui a mando de Chen.
Frustração, essa tão familiar sensação, é o que me domina quando as portas do veículo se fecham atrás de mim. Foi uma ótima jogada. Assassinar o presidente quando eu estava na mesma sala, na hora exata em que tudo aconteceu, com pouquíssimas e questionáveis testemunhas. Quem questionaria o primeiro-ministro, quando eu estava lá dentro, num país tomado por nacionalismo?
Eu sou a perfeita pintura de uma assassina política, e isso é tudo o que as pessoas precisam.
Olho para o caro anel em meu anelar direito. Ele estampa uma ônix esculpida em formato retangular, e uma fina, reta camada de ouro puro circundando suas extremidades.
O presente me dado horas antes pelo presidente morto, estará manchado pelo meu sangue, em algum lugar da China, horas depois.
Firmo o olhar na estrada.
Eu sou uma mulher morta.
¹东丽 (dongli – pronúncia): poder, em chinês. Yuan: moeda oficial chinesa.