Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), cristianismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

9.3.17

Ah, os tempos de transição...

Depois de anos (?) sem uma postagem sobre arte no blog, me veio a mente um tema interessante: Idade Média. É certo que esta é uma época controversa - atenha-se ao fato de que me refiro ao período medieval europeu, em suma -, e a obscuridade que cerca tudo o que diz respeito aos costumes, política, padrões e outros aspectos das sociedades que viveram entre o século V e o século XV torna o assunto mais atrativo. Some isso ao fato de que momentos de transição - voltando ao título deste post -, estão carregados de incertezas e você, caro leitor, vai gostar de saber o que será dito logo abaixo.

Quando se estuda sobre a arte europeia medieval, o que geralmente se encontra são obras nos campos da pintura, literatura e música voltadas quase exclusivamente para a religião. Boa parte da população feudal era analfabeta, o que transformava as pinturas e esculturas em formas didáticas de ensinamento sobre as doutrinas da Igreja Católica e personalidades bíblicas. Para a nobreza, a quem a literatura era um meio viável, os "nacionalismos" da época pintavam heróis ideais das Cruzadas ou qualquer campanha militar do período. Entretanto, essa monotonia artística se altera consideravelmente no século XV, surgindo então um estilo que mescla aspectos modernos e medievais: arte flamenga.


A pintura acima, "O Cavaleiro, a Morte e o Diabo" ilustra o panorama religioso e artístico da Alemanha de Lutero, no século XV. A cultura católica presente em quase tudo nos países da Europa Medieval gerou um terror geral quanto a expectativa da morte, e do Diabo. Apesar desta não se tratar de uma obra especificamente flamenga, ela possui características similares; o quadro, com os dois objetos personificados - a morte é aquela que segura a ampulheta, para fins de informação -, apresenta uma perspectiva diferente a esse medo. Aspectos do renascimento são notados aqui; a forma detalhada como o autor pinta cada objeto, as noções de perspectiva... Essa é uma das obras do cenário final da Idade Média, que foge completamente das pinturas góticas predominantes, mas que mantém sua base de inspiração comum: o Cristianismo.



O surgimento dos Estados-Nação e o crescente fortalecimento da realeza revelam exigências que vão nortear esse novo ciclo artístico; o desejo por uma arte mais detalhista e exótica impulsiona os artistas do período. Por outro lado, o tom de incerteza e mesmo caos está presente, mesmo implicitamente, na arte do século XV. Tais aspectos explicam os traços que remetem ao Expressionismo -  notável em "O Martírio de San André" de Peter Paul Rubens (figura 1) - e o Surrealismo - em "O triunfo da morte", de Pieter Bruegel, ilustrando a peste negra do século anterior como num pesadelo (figura 2) -, ambos movimentos que aparecem apenas na Idade Moderna.