Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), minimalismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução. Se você for suficientemente observador, verá que esta bio é diferente da bio do ano passado.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

15.6.16

As perceptíveis (mas nem tanto) diferenças entre o folk e o anti-folk


Pois bem, já faz algum tempo desde que descobri meu gosto pelo até então desconhecido "anti-folk", vide a quantidade de músicas e cantores do gênero que fazem parte da minha playlist. Como eu já tinha ouvido falar no simples e puro "folk", mas não em seu supradito derivado, decidi fazer uma pequena pesquisa para descobrir a diferença entre os dois. O que eu achei?

Um festival de críticas.

Eu já estava acostumada a reclamações quanto aos "rótulos" que os críticos - será que posso chamá-los assim? - da música costumam dar a determinado estilo, principalmente quando se trata de gêneros muito amplos, com uma infinidade de variações dentro de si mesmo, como o indie ou o gospel, entretanto, parece ser unanimidade a conclusão de que as nomenclaturas "folk" e "anti-folk" não fazem sentido algum, e que apesar de soar como polos opostos, não há diferença entre os dois gêneros. Conclusão essa na qual eu discordo, em parte.

Sim, há uma imensa confusão quanto ao surgimento desses "movimentos" e quais seus reais significados e estilos, principalmente com a atual demanda exigindo um "toque pop" no estilo de qualquer banda ou cantor simplesmente para vender, mas dizer que não há a mínima diferença entre o folk e o anti-folk é um exagero. Desde seu surgimento até os tempos atuais, ambos os gêneros passaram por mudanças e reformas, porém ainda guardam um pouco de sua essência. E para comprovar minha tese, fiz novas pesquisas sobre o nascimento desses estilos e decidi fazer uma ""análise"" de duas bandas/cantores atuais considerados "folk" e três bandas/cantores considerados "anti-folk".


Algumas definições básicas: 
Folk: Assim como o country e o jazz, possui forte aspecto regional e popular, sendo denominado como "música folclórica". Existe a presença predominante de instrumentos acústicos, anteriormente unanimidade na música folk, mas aos poucos incluindo - ou até sendo substituídos - por instrumentos mais comumente vistos no rock e no pop, como a guitarra elétrica, por exemplo.  
Anti-folk:  Movimento que surgiu nos EUA nos anos 60, tem como principal característica o protesto às "limitações" impostas aos artistas folk, como a construção de letras com aspecto estritamente regional/político e a resistência à inclusão de instrumentos e melodias não-próprias do gênero. O anti-folk é considerado o principal motivador das reformas posteriores do gênero folk. 

Artistas folk analisados: 
  • Mumford & Sons (música ícone do post - Little Lion Man) 
  • Of Monsters and Men (música ícone do post - Little Talks)
Artistas anti-folk analisados: 
  • Regina Spektor (música ícone do post - Carbon Monoxide)
  • Feist (música ícone do post - Brandy Alexander)
  • The Moldy Peaches (música ícone do post - Nothing came out)
Nota: Antes de mais nada, é bom salientar que cada banda tem suas características individuais e o que será mencionado aqui são aspectos em comum ou que diferenciam um gênero de outro.
Várias músicas de cada um dos artistas citados foram ouvidas antes de fazer esse post, mas apenas uma delas foi escolhida para o post não ficar grande demais. 


  • Mumford & Sons
A principal característica notada nas duas bandas mencionadas e várias outras do gênero folk é a sua semelhança com o country, e isso fica nítido em Little Lion Man °link do vídeoApesar do aspecto regional desaparecer das letras, Mumford & Sons faz lembrar as raízes no figurino e cenário do clipe. Na época, a grande exigência do anti-folk era a liberdade de compor sobre o que quiser, liberdade essa posteriormente aceita dentro do próprio folk e observadas nos atuais representantes do gênero. A viés acústica é palpável em Little Lion Man, apesar da existência dos instrumentos elétricos, lá no fundo.


  • Of Monsters and Men

Of Monsters and Men é talvez a banda mais pop citada aqui até o momento. Meu primeiro contato foi na trilha sonora de Hunger Games: Catching Fire, quando a banda estava alcançando um sucesso talvez jamais tido até então. Apesar de toda a influência pop-rock, as letras mais românticas e um foco maior - ao meu ver - para um público adolescente, a banda ainda carrega sua essência folk.  Os cenários fantásticos de CGI típicos do grupo compõem o clipe de Little Talks °link do vídeo, e apesar da salada de instrumentos, algumas notas e a voz suave de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir te faz lembrar de que gênero estamos falando.





  • Feist

Apesar do tom “pop” de algumas faixas, Feist te faz lembrar das heranças adquiridas do folk em Brandy Alexander °link do vídeo, mas também sinaliza para uma característica mais vista no anti-folk do que em seu gênero originário: a ausência de efeitos e perfeccionismo na produção de álbuns de estúdio, as faixas cruas, a filosofia de “não se levar a sério”. Brandy Alexander, diferente de faixas como My Moon My Man e I Feel It All, é todo acústico e simples, como alguém que simplesmente pega o violão e começa a cantar numa roda de amigos.



  • Regina Spektor
Ah, Regina! Ela que já foi citada em praticamente todos os posts de música do blog, não pode deixar de ser citada aqui também por ser considerada um dos maiores ícones do anti-folk. Seu famoso piano faz parte de quase todas as composições da cantora, e assim como Of Monsters and Men, Spektor já passou pelo seu momento "pop", bem explícito no álbum "Far" de 2008. Carbon Monoxide °link do vídeo, entretanto, é uma das primeiras faixas do álbum lançado 3 anos antes, Soviet Kitsch, que é muito mais anti-folk que os posteriores. A herança folk de Regina Spektor se encontra muito mais em suas letras do que em suas músicas, abordando contextos regionais, temas político-sociais e narrando, quase como numa prosa, cenas do cotidiano. Aí vem a característica citada no tópico da Feist: álbuns de estúdio com poucos efeitos. Há pouquíssimas alterações na voz da Regina, quase nulas, apenas perceptíveis se colocar a música na versão estúdio e live simultaneamente, e SE você prestar muita atenção. 

  • The Moldy Peaches
Sim, então, eu sei que há um a mais na categoria "anti-folk", mas diferente do folk, marcante mesmo apesar da influência de outros gêneros musicais, o "anti-folk" permite uma liberdade de estilos tão ampla que é difícil enxergar algo que coloque Feist e Regina Spektor na mesma categoria; com exceção de uma coisa: o bacisismo de suas composições, característica tão forte e nítida em Nothing came out °link do vídeo, que não poderia deixar de citar a dupla novaiorquina no post.