Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), minimalismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução. Se você for suficientemente observador, verá que esta bio é diferente da bio do ano passado.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

20.4.15

[RESENHA] O coração de uma Bridgerton

Em toda vida há um ponto decisivo. Um momento tão tremendo, súbito e impressionante, que a pessoa sabe que sua vida jamais será igual.  Para Michael Stirling, o libertino mais infame de Londres, esse momento chegou na primeira vez que pôs os olhos em Francesca Bridgerton.
Depois de uma vida de perseguir mulheres, de sorrir astutamente quando elas o perseguiam, de permitir-se ser apanhado mas nunca deixar que seu coração se comprometesse, necessitou somente de um olhar em Francesca Bridgerton e se apaixonou tão rápido e definitivamente que foi um milagre que pudesse permanecer de pé.
Desgraçadamente para Michael, o sobrenome de Francesca seguiria sendo Bridgerton durante só trinta e seis horas mais, já que a ocasião dessa reunião era, infelizmente, um jantar para celebrar suas iminentes bodas com seu primo.
Mas isso foi então e agora Michael é o conde e Francesca é livre, mas ainda ela pensa nele como nada mais que seu estimado amigo e confidente.Michael não se atreve a lhe falar de seu amor até uma perigosa noite, quando ela caminhou inocentemente a seus braços e a paixão se demostrou ser mais forte que o pior dos segredos.

Então, depois de tanto tempo sem resenhar um livro dos Bridgerton (agora faltam apenas dois livros para acabar a série), eis que venho com a história de Francesca Bridgerton, história essa que não está mais tão fresca assim na minha memória. Confesso que essa leitura foi uma surpresa para mim, já que, nos livros anteriores, há a menção de que o marido de Francesca havia morrido, o que me fez pensar que essa seria a estória mais dramática da série, o que, com certeza, não foi.

É lógico que existe uma carga de drama nesse livro, assim como em todos os outros, porque mais que uma família maravilhosa e engraçada, os Bridgerton passaram por seus altos e baixos, e têm seus problemas pessoais. O começo do livro é narrado pelo ponto de vista de Michael, apesar de ser em terceira pessoa; ele é típico personagem masculino dos livros de época: um libertino, degenerado, que acaba vivendo uma paixão proibida, que no caso é por Francesca, até então, esposa de seu primo.

Francesca não tem muito destaque nem nos livros anteriores, nem nos posteriores a esse, visto que sua vida, após o casamento, se passa um pouco afastada do núcleo Bridgerton, diferente da maioria dos outros irmãos. Confesso que ela não é a minha Bridgerton favorita e nem despertou muita empatia da minha parte, talvez seja por conta da sua personalidade reservada e pacata, o que deixa a personagem um pouco apagada até mesmo em seu próprio livro. Francesca muitas vezes aparece como a irmã mais velha e sensata, que dá bons conselhos à mais nova, Hyacinth.

A família Bridgerton, sempre presente e solícita, exerce papel importante na "recuperação" de Francesca, incentivando-a a sair do luto. Durante o começo até praticamente metade do livro, Francesca se mantém alheia aos reais sentimentos de Michael, que passa boa parte do tempo se corroendo por não poder ter a mulher amada e pela culpa de ter se apaixonado por ela. Justamente essa culpa - compartilhada por ambos - que vai se tornar um empecilho para o desenvolvimento do relacionamento entre os dois.

"Não. Não devia fantasiar com Michael. Isso era mau. haveria-se sentido terrivelmente mal por sentir esse tipo de desejo por qualquer homem, mas pelo Michael...
Era primo de John. Era o melhor amigo do John. E seu melhor amigo também. E não deveria tê-lo beijado."

Assim como em vários outros livros da série, os personagens se agarram a suas "cara-metades" para resolver seus problemas que são, muitas vezes, mais internos do que externos. Apesar do humor ter ficado um pouco de lado nesse livro, ele aparece de vez em quando com personagens secundários que são tão interessantes quanto os principais. Julia Quinn constrói, mais uma vez, uma história leve e cativante, com personagens tão ótimos que nos faz querer entrar e viver dentro do livro.