Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), minimalismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução. Se você for suficientemente observador, verá que esta bio é diferente da bio do ano passado.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

20.4.14

[RESENHA] Um perfeito cavalheiro

Um Perfeito Cavalheiro
Sophie sempre quis ir a um evento da sociedade londrina. Mas esse é um sonho impossível. Apesar de ser filha de um conde, é fruto de uma relação ilegítima e foi relegada ao papel de criada pela madrasta assim que o pai morreu. Uma noite, ela consegue entrar às escondidas no baile de máscaras de Lady Bridgerton. Lá, conhece o charmoso Benedict, filho da anfitriã, e se sente parte da realeza. No mesmo instante, uma faísca se acende entre eles. Infelizmente, o encantamento tem hora para acabar. À meia-noite, Sophie tem que sair correndo da festa e não revela sua identidade a Benedict. No dia seguinte, enquanto ele procura sua dama misteriosa por toda a cidade, Sophie é expulsa de casa pela madrasta e precisa deixar Londres. O destino faz com que os dois só se reencontrem três anos depois, Benedict a salva das garras de um bêbado violento, mas, para decepção de Sophie, não a reconhece nos trajes de criada. No entanto, logo se apaixona por ela de novo. Como é inaceitável que um homem de sua posição se case com uma serviçal, ele lhe propõe que seja sua amante, o que para Sophie é inconcebível. Agora os dois precisarão lutar contra o que sentem um pelo outro ou reconsiderar as próprias crenças para terem a chance de viver um amor de conto de fadas. Nesta deliciosa releitura de Cinderela, Julia Quinn comprova mais uma vez seu talento como escritora romântica. 
Vou falar da sinopse grande que é só para não perder o costume rsrsrsrsr, parei. Esse é o terceiro livro da série Os Bridgerton que eu li faz um tempinho, portanto, talvez eu deixe passar algum detalhe da estória. Devo confessar que era um livro que eu estava ansiosa para ler, porque o Benedict é aquele tipo de personagem que você não consegue formar uma opinião ou um perfil dele observando de longe.

Um perfeito cavalheiro tem uma carga dramática muito intensa, ouso dizer que é o livro mais dramático de toda a série e é bem visível esse ar de conto de fadas e a forma como a autora se baseou na Cinderela para fazer a estória. Nós começamos, no prólogo, conhecendo um pouco mais a "família" de Sophie Beckett, a filha bastarda de um conde. Apesar do conde lhe garantir uma vida confortável, Sophie sempre sentiu aquela carência de ter uma família de verdade, com pais que a amassem e prestassem atenção nela. A coisa piora quando o conde se casa com uma megera e traz sua nova esposa e suas duas filhas para morar com Sophie. Quanto às duas filhas da megera em questão, a mais velha é completamente fútil e metida, enquanto a mais nova até gosta de Sophie, mas é fraca demais para enfrentar a mãe. O prólogo acaba quando o conde morre e a madrasta - como a própria sinopse diz - transforma Sophie numa criada.

Os anos se passam depois do encontro super romântico com Benedict no baile de Lady Bridgerton e são tantas coisas ruins que Sophie passa que as vezes dá vontade de chorar por ela. A gente sente uma enorme compaixão pela personagem, não só pela sua vida sofrida, mas também por ela sempre conseguir segurar a barra sozinha. São pouquíssimas as vezes que vemos Sophie chorar ou algo do tipo, apesar de ela ter todos os motivos para fazer tal coisa e é isso que faz com que a personagem se torne amável para nós, leitores.

Benedict é com certeza o mais calmo de todos os homens Bridgerton e tem toda essa aura de príncipe encantado em volta dele; eu vi algumas pessoas reclamando do título do livro, alegando que Benedict não era um cavalheiro tão perfeito assim. Claro que ele pisa na bola algumas vezes, se estressa várias outras apesar do seu jeito tranquilo e eu acho isso bom, porque deixa o personagem real, não aquele modelo perfeitinho de homem. Benedict comete erros, como todo mundo comete, mas no final das contas é uma boa pessoa.

O relacionamento entre os dois é muito conturbado e confuso mais ou menos até o final da estória. Benedict se sente confuso porque jurava para si mesmo que não se apaixonaria por nenhuma mulher além da moça do baile de máscaras, mas ao mesmo tempo amava Sophie, sem saber que ela e a dama misteriosa eram a mesma pessoa; devo confessar que fiquei o tempo inteiro roendo as unhas para que ele se desse conta disso. Ao mesmo tempo que Benedict se sentia confuso em relação aos seus sentimentos, ele queria que Sophie se tornasse sua amante, coisa que ela jamais permitiria, com medo de gerar um bastardo que pudesse sofrer tanto quanto ela sofreu.

– Acho que vou beijá-la – murmurou ele.
– Acha?
– Acho que preciso beijá-la – acrescentou Benedict, parecendo não acreditar direito nas próprias palavras. – É como respirar. Não há muita escolha.

Em relação aos outros Bridgertons continuo dizendo que todos eles são encantadores e até agora nenhum me decepcionou. Lady Whistledown segue narrando os acontecimentos da alta sociedade londrina, com um trecho de suas colunas a cada começo de capítulo, sempre com aquele toque de humor típico dela. Como eu dizia antes, Um perfeito cavalheiro é tão intenso e dramático que o próximo livro da série pode parecer um pouco leve demais, mesmo assim não perde seu encanto. Nem preciso dizer o quanto gosto da série Os Bridgerton, preciso?