Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), minimalismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução. Se você for suficientemente observador, verá que esta bio é diferente da bio do ano passado.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

24.1.14

Orgulho e Preconceito X Orgulho e Preconceito e Zumbis

Demorou, mas saiu! Bom, faz alguns meses atrás que li e fiz a resenha de Orgulho e Preconceito aqui no blog. Hoje, trago para vocês uma análise de Orgulho e Preconceito e Zumbis, a releitura do clássico de Austen.


Para início de conversa, o que sempre me prendeu aos livros de Austen não foi um enredo mirabolante, com questões filosóficas ou algo que mudasse minha forma de ver o mundo. Não que as estórias da Jane Austen sejam "fraquinhas", mas o que realmente me fez gostar de seus livros é a sensibilidade e encanto que só um bom livro de época pode proporcionar.

Enfim, Orgulho e Preconceito e Zumbis, como toda paródia, segue a mesma base e tem os mesmos personagens da obra original. Apesar dos vários elogios à releitura vistos nas primeiras páginas do livro, eu não gostei tanto desta versão quanto pensei que fosse gostar. Há uma sútil mudança na personalidade dos personagens, o que pode agradar uns e aborrecer outros, mas, isso fica a critério do leitor.

Darcy, um dos personagens que sofre essa mudança, se revela alguém mais irreverente em seus comentários e menos calado. Isso pode ser um pequeno choque para alguém que leu e está acostumado com a obra original, principalmente nas cenas iniciais, onde ele solta críticas um pouco pesadas, beirando a linha do grosseiro. Caroline Bingley também segue essa linha, e para as pessoas que já achavam a moça irritante em Orgulho e Preconceito, vão achá-la mais ainda nesta nova versão.

O ínicio do livro é exatamente igual ao livro original, porém, os interesses são bem diferentes. Em Orgulho e Preconceito, o principal interesse dos Bennet - principalmente da Sra. Bennet, que apesar de tudo, continua sendo uma verdadeira casamenteira - era casar suas filhas com homens ricos, mas desta vez, há assuntos mais importantes para tratar, como os zumbis que assolam Hertfordshire. As meninas são lutadoras agora, se tornam mais agressivas e aí vai o meu primeiro elogio à esta releitura desde que comecei o texto: esse toque de agressividade fez bem à personalidade da tão querida Elizabeth Bennet. Eu, que já gostava dela antes, gostei ainda mais nessa paródia.

Há muitas cenas de ação - e algumas chegam a ser nojentas - o que parece meio fora de lugar num livro como esse. Talvez a minha aversão esteja relacionada ao fato de que não sou muito chegada a estórias de zumbis, mas penso que a paródia poderia ficar melhor em outro livro. Orgulho e Preconceito e Zumbis foi a primeira paródia que li, e confesso que não foi uma leitura muito prazerosa para mim, demorei muito tempo para terminar e cogitei abandonar essa leitura. Eu estava com muitas expectativas para esse livro, por gostar tanto de Orgulho e Preconceito, mas colocar zumbis no meio, para mim, tirou o encanto das tão queridas estórias de Jane Austen.