Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), minimalismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução. Se você for suficientemente observador, verá que esta bio é diferente da bio do ano passado.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

15.12.13

TÊTE-À-TÊTE: O lado amoroso de Jogos Vorazes

E aí galera, tudo bem?
Como as resenhas e outros posts não são o suficiente para expôr minhas conclusões sobre queridas leituras e seus respectivos personagens, criei um quadro novo que não é bem uma resenha, e sim as minhas mais pessoais opiniões sobre determinados pontos de algum livro ou gênero literário. Para começar esse novo cantinho, como fã de carteirinha que sou, falarei sobre o lado amoroso, o romance que em certo ponto pareceu um pouco de lado em relação ao trágico cenário de Jogos Vorazes.

                         ATENÇÃO: ESTE POST PODE CONTER SPOILERS!!!

Como todo mundo já deve saber, Em Chamas, a adaptação do segundo livro da trilogia de Suzanne Collins estreou nos cinemas no mês passado, no dia 15/11. E sim, eu assisti. Então, no clima de Massacre Quaternário e outras coisas que essa sequência nos reserva, falarei sobre o triângulo amoroso: Peeta-Katniss-Gale, usando fotos do filme para ilustrar o post.


Diferentemente de alguns YA que já li, Katniss Everdeen, a protagonista, objeto do amor dos dois rapazes em questão, não fica páginas e mais páginas suspirando por qualquer um dos dois. Na verdade, são poucas as vezes que ela toca no assunto de maneira sentimental, o que, pelo menos comigo, ganhou pontos na leitura. Tem gente que gosta, mas, para mim é um pouco chato ler várias páginas de pura indecisão, onde a protagonista fica elencando as qualidades de cada um, sem saber quem deve escolher.

Toda essa "insensibilidade" por parte da Katniss é apenas uma forma de mostrar que o romance não é o foco da estória. Ou seja, se isso fosse uma resenha de Jogos Vorazes, eu com certeza não teria gastado quatro parágrafos apenas falando sobre isso. Katniss morava no distrito mais pobre do país, tinha a responsabilidade de sustentar sua família sozinha, foi para os Jogos Vorazes duas vezes para logo após se tornar a face da rebelião; é claro que ela tinha muita coisa mais relevante para se preocupar do que se iria ficar com o padeiro ou o caçador no final.

Katniss tenta convencer Gale a fugir na primeira cena divulgada de “Em Chamas”


Pois bem, começaremos pela análise Gale-Katniss; eu acho que não só uma galera, mas, a própria Katniss em um tempo específico pensou que seu destino era ficar com o caçador mesmo e pronto. Ambos são muito explosivos, o que rende alguns desentendimentos entre eles. Gale sempre odiou a Capital e toda a coisa dos Jogos e quando a rebelião explodiu, ele fica animado, cheio de esperança de que as coisas realmente irão mudar. E é exatamente neste ponto que os sentimentos da Katniss começam a mudar. Ela estava apavorada com tudo aquilo acontecendo, com as ameaças do Snow, e convenhamos, a Katniss nunca quis ser um símbolo da rebelião realmente. Para falar a verdade, ela nunca imaginou que aquele truque com as amoras na arena iria render tanto.

O fato é que Katniss precisava de alguém que lhe passasse segurança, alguém que entendesse o quanto ela estava com medo e perdida e o Gale não soube fazer isso, porque o que ele mais queria é lutar. Ao mesmo tempo que Gale estava tão entusiasmado com a revolta, Peeta fazia aquilo que tecnicamente ele deveria fazer: dar um suporte emocional para a Katniss.

                


Já ouviram falar naquela frase, "os opostos se atraem"? Então, é mais ou menos isso que acontece entre Katniss e Peeta. Peeta, com todo seu jeito pacífico, funciona como uma balança, para equilibrar toda a personalidade agressiva da Katniss. Os dois começam a se aproximar mesmo a partir do Massacre Quaternário, e o que a gente percebe é uma forte gratidão por parte da Katniss, pela forma que o Peeta tenta protegê-la de todas as formas. Aliás, adoro aquela parte do filme que o Haymitch diz "Você não mereceria aquele garoto, nem se vivesse mil vidas." Enfim, toda essa gratidão, aos poucos vai se transformando em admiração e depois, amor. Coisa que a Katniss só vai perceber em A Esperança.


... O que eu preciso para sobreviver não é o fogo de Gale, aceso com raiva e ódio. Eu tenho fogo suficiente sozinha. O que eu preciso é o dente-de-leão na primavera. O amarelo brilhante que significa o renascimento, em vez de destruição. A promessa de que a vida pode continuar, não importa o quão ruim foram as nossas perdas. Isso pode ser bom novamente. E só Peeta pode me dar isso.