Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), minimalismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução. Se você for suficientemente observador, verá que esta bio é diferente da bio do ano passado.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

31.7.13

[CONTO] Fúria - Capítulo 13

Quando Will disse que iria me ajudar, não imaginei que fosse dessa forma.
Nós estamos numa enorme sala de controle, repleta de computadores e telões com códigos descendo e subindo. Isto aqui não é nada mais, nada menos do que o incrível escritório do melhor amigo dele, Mark. Apesar da sala ser enorme e eu achar que era preciso mais de uma pessoa mexendo em todos aqueles aparelhos, Mark parece se virar bem sozinho. Ele é um detetive, assim como nós, mas muito acima de nós. Ele ganha muito dinheiro para fazer sequestros, resgatar pessoas de sequestros e coisas do tipo. Fico imaginando se Mark vai usar todos esses computadores para rastrear Rachael, o que é estúpido, já que nem tenho certeza de que ele de fato irá nos ajudar.


"Você sabe, não sou acostumado a fazer trabalhos de graça. Muito menos um resgate complicado como esse."
  - É o que ele diz. Eu me mantenho afastada da conversa ao passo que Will tenta convencê-lo. Eu só não consigo parar de pensar no que deve estar acontecendo com minha irmã enquanto a aflição calma me preenche.

"E eu não sou acostumado a pedir favores a você, mas isso é realmente importante."
   - Will diz. Ele olha para mim a cada cinco minutos para verificar se eu não estou chorando ou algo assim. Ele apenas me encara e depois de uns segundos volta-se para Mark. Agora Mark é que me encara agora. Ele deve ter percebido o meu olhar vazio e doente, por que ele amolece um pouco e diz:

"Eu gostaria de ajudar, mas a sua amiga se meteu com alguém grande. Será um resgate caro e perigoso."

"Mark, por favor..."
   - Will suplica.
"É a irmã dela. Esses caras mataram toda a família dela. Rachael é a unica coisa que restou."

   Sim, Will está apelando para os sentimentos dele. Eu não gosto da ideia das pessoas sentirem pena de mim. Eu nunca me fiz de coitadinha. Mas se isso é preciso para que minha irmã saia viva daquele lugar, eu posso ser a garota miserável por algum tempo. Will o encara como quem diz "eu sei que você pode fazer isso" e Mark franze a testa. Eu estou quase desistindo e indo embora, quando ele diz:

"Ok."
  - Will suspira de alívio.
"Eu vou resgatar a garota, e você está me devendo essa."

   Mark finalmente me induz a conversa e pede para que eu explique tudo o que aconteceu desde o meu primeiro encontro no Wall Street até o dia do desaparecimento dela. Eu não sei quanto tempo passa até que eu conte tudo, mas a dor faz com que tudo pareça interminável. É horrível falar sobre a morte de Jena e mais ainda sobre as palavras que ele me disse antes de eu saber que Rachael tinha sido levada. Mas eu não tenho outra escolha. Mark precisa de detalhes mais do que nunca. Então, quando eu finalmente termino o meu trágico depoimento, eu consigo respirar mais facilmente.
  Mark começa a falar, até que então o meu telefone vibra. Todos se calam e eu abro a mensagem. E então, a surpresa:

"Achei que você gostaria de ver uma ultima lembrança de sua irmãzinha."

  Então eles me mostram que realmente não estão para brincadeira. 
  Há uma mensagem de vídeo anexada a mensagem. 
  Quando eu abro, minha respiração para subitamente por segundos. Então ela começa a acelerar e eu tenho a sensação de que vou entrar em mais um colapso nervoso. No vídeo, não há a velha e conhecida Rachael e sim uma garota ferida, molhada e com a cabeça raspada. Eles a torturam e enfiam sua cabeça várias vezes em algo que parece ser água suja. Os gritos de Rachael enchem a sala. Mark e Will me encaram fixamente até que eu não consigo aguentar mais e ouço o barulho do meu celular caindo no chão.