Linda Martins, 18, Salvador. Livros (os que leio e os que escrevo), minimalismo, estudos aleatórios e comida definem minha vida. Em constante evolução. Se você for suficientemente observador, verá que esta bio é diferente da bio do ano passado.

ENTREVISTA
Rudson Xaulin

RESENHA
Um beijo inesquecível

AUTORAIS
Baed

25.6.13

[CONTO] Fúria - Capítulo 1

 15 anos depois...
   Eu estou dentro de um Bentley preto enquanto vou para uma festa luxosa em Nova York. Não é bem o futuro que eu imaginava, mas ele está me preparando. Já passou da meia noite, mas eu não tenho medo da madrugada, fui treinada para lidar com os perigos dela. Eu sou alguma espécie de policial. Policial, detetive, o que você quiser chamar. Sou contratada pela polícia para me enfiltrar em qualquer lugar para caçar criminosos. Não uso farda, mas tenho um distintivo bem guardado. Ninguém sabe que trabalho disso, a não ser minha irmã e meus colegas. As vezes ajo sozinha, outras vezes – como essa – eu estou acompanhada. Hoje tenho 29 anos e mesmo depois de tanto tempo nunca esqueci o episódio lamentável em que os meus pais foram mortos. Naquele dia, eu prometi a mim mesma que voltaria e vou cumprir, porém eu preciso me certificar de que estou pronta...
Não foi a toa que escolhi essa profissão. Eu aprendi a usar arma de fogo e outros artefatos mortíferos.

"Nós estamos chegando, Liza."
     – Will me lembra. Ele está comigo para essa missão. Ele está me avisando que estamos chegando a tal festa em que fomos mandados. Nosso chefe arranjou os confites, o carro e nos mandou ir. Esta festa está entopida de mafiosos. Nós viemos pegar um fugitivo da polícia aqui. Por isso o desfarçe. Nós não somos mais Will e Liza naquela festa e sim Tyler e Christina. Tudo pronto. Documentos falsificados e disfarçes feitos. Como ninguém sabe quem nós somos, só precisamos vestir uma roupa cara e fingir que somos apenas um casal que tem amigos em comum aqui. Aparentemente, estamos completamente vulneráveis, mas Will está com uma pistola e eu tive que me contentar com uma adaga disfarçada de batom. E nós temos fones. Fones que num simples movimento pode colocar o FBI na cola deles.
       A palavra de ordem hoje é sutileza. O carro para e nós dois trocamos um rápido olhar antes que Will abra a porta. Esse olhar passa confiança. Significa que estamos juntos nessa. Nós dois sabemos que estamos prestes a entrar num ninho de serpentes. Um movimento brusco e estamos perdidos. Will sai e estende a mão para mim. Eu a seguro, desço do carro e tenho o primeiro vislumbre do local. Grande, luxuoso e iluminado. Nada surpreendente. Estamos no centro de Manhattan. Pelo que vejo, concluo que o Central Park está bem atrás de nós. Meu corpo entra em modo alerta. Eu sinto cada pulsação nele; está em todas as partes, em cada músculo do meu corpo. Entrelaço minhas mãos nas de Will e seguimos para a porta do saguão, apresentar nossos documentos falsos e convites. Tudo ok. Conseguimos entrar sem problemas. Um leve zumbido e logo após um som sai do meu fone, enchendo os meus ouvidos:

"Bom trabalho, Vaccari."
    – Monteiro, meu chefe, diz. Ele está numa base de controle com um bando de policiais e agentes do FBI. Está tudo sendo monitorado por câmeras que estão enfiltradas fora do saguão. Aqui dentro não há câmeras. Todas as informações terão que ser entregues através do fone.
"Já conseguiu entrar. Agora me escute, sorria um pouco mais, solte os músculos e tente parecer encantada com a festa, sim?"

"Ok." – digo rapidamente. Então eu sorrio em seguida.

     Will deve ter recebido a mesma orientação, por que ele joga um sorriso charmoso para mim. Ele sabe fingir bem. Melhor do que eu, mas pelo menos eu dou o meu melhor. Nós parecemos apenas um casal em plena lua de mel no meio da multidão. Nada suspeito. Nada que chame atenção de alguém. Nós passeamos pela festa, começamos pequenas conversas, isso tudo só para procurar o tal cara em que estamos procurando. Fotos dele foram mostradas, mas é capaz de ele está usando algum disfarçe.

"Como alguém em sã consciência, pode ser fugitivo da polícia e ainda continuar nos Estados Unidos indo a festinhas?"
    – Will sussurra para mim.

"Ele deve ter muita certeza de que não conseguirão pegá-lo."
       – Respondo. Eu vim parar nos Estados Unidos depois que o meu tio conseguiu a guarda de mim e da minha irmã. Nós moravámos no Brasil, especificamente no sul do país. Meu pai era rico, dono de uma grande empresa, com certeza ele tinha inimigos além da fronteira. Então a possibilidade dos assassinos dos meus pais estarem nos EUA, não é uma coisa a ser descartada.
   
"E você até hoje não respondeu a minha pergunta."
      – Will diz sorrindo divertido. A mudança de expressão e tom de voz me confunde.

"Que pergunta?"

"Quer sair comigo?"
   
"Nossa, que mudança drástica de assunto."
     – digo.

"Não desconverse."
    – Ele sussurra no meu ouvido.
"Eu te fiz uma pergunta e você não respondeu."

"Você não acha que essa não é uma boa hora para isso? Por favor, estamos trabalhando."

"Ok, ok."
    – Will se rende.
"Mas fique sabendo que é a ultima vez que deixo você fugir."

       Dou uma leve risada e ele ri junto. Dessa vez não é um riso fingido, como das outras vezes. Estamos correndo risco de sermos descobertos e mortos enquanto Will me chama pra sair. Meu momento de descontração não dura muito pois meus olhos encontram um rosto familiar. Mais envelhecido do que vi nas fotos, mas não deixa de ser ele. Enfim, encontramos o fujão e ele anda rapidamente em direção ao fundo da festa.

"É ele."
   – Sussurro, andando a passos largos sem tirar os olhos do homem. Will não entende no começo, mas minha expressão facial é o bastante para que ele saiba de quem estou falando. Ele me segue, tomando cuidado para não sermos notados. O nosso fugitivo mergulha em meio a escuridão já no lado de fora do saguão. Nós chegamos a um ponto em que o saguão está praticamente vazio. Nossa chance de se apressar. Will já está com a mão na arma e não demoramos a sair da festa.
       A nossa frente a unica coisa visível é o Central Park. Droga, ele deve ter ido lá. O Central Park é cheio de árvores, logo, é muito fácil se esconder ali. Will me puxa e atravessamos a rua correndo. Assim que pisamos no parque – que agora está escuro e vazio – Will finalmente saca a pistola.
     Caminhamos cautelosamente pela grama baixa.
     O Central Park na madrugada é tão silencioso. Pupilas dilatadas, todos os nossos orgãos dos sentidos ficam mais afiados quando estamos em alerta. A cada passo, árvores. Nada além de árvores.
      Até que, um grito.
     Tão parecido com o da minha mãe.
     É como se tudo o que vivi a 15 anos atrás voltassem a minha memória.
     O grito vem do meu lado esquerdo. Minha cabeça vira-se automaticamente para ele. Começo a andar freneticamente atrás dele, sem me importar com os alertas de Will.
     Não demora muito para que eu encontre a origem do grito.
     Meus pés vacilam.
     Bem à minha frente, uma mulher caída, com uma faca cravada em seu pescoço.

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